Terminal alcooleiro

Pelo jeito a idéia de Requião, uma das poucas boas e viáveis, de criar no Porto de Paranaguá um terminal para álcool combustível e ganhar suficiente escala para atender demandas de vários países que firmaram o convênio de Kioto para reduzir drasticamente as emissões de gases poluentes começa a adernar. Como tudo o que acontece naquele terminal tende-se sempre a buscar as opções menos indicadas: surgem dificuldades na montagem do projeto e que beneficiaria uma empresa que já detém um monopólio e que ainda recentemente, por causa de uma avaria no ''pier'' da Petrobras, operou, no bombeamento de combustível, durante bastante tempo, antes que houvesse a correção no equipamento.
O nosso governador é o presidente de um consórcio de governos de estados produtores de álcool e nessa condição poderia efetivamente fazer de Paranaguá, por suas condições logísticas, o terminal adequado para esse projeto. Levaria em conta a diversificação daquele escoadouro a ganhos excepcionais, conforme a disposição dos países importadores, dentre eles a Coréia do Sul e a Rússia (o chamado leste europeu é um dos campos mais adequados pelo desleixo sistemático das formas de ''socialismo real'' aos problemas ambientais), o que o poderia transformar em área cativa para esse tipo de produto.
As confusões, que parecem ser feitas por método, como se viu no caso absurdo da dragagem da empresa Bandeirantes e que o Tribunal de Contas pretende impugnar na parte relativa ao pagamento dos 18 meses em que o equipamento não operou, tendem a perturbar a boa idéia do terminal exclusivo para o álcool com fins energéticos e se soma a situações anômalas como a do Cais Oeste em que a solução técnica apontada é contestada por operadores. Como se não bastasse a questão dos transgênicos, para a qual o governo será obrigado a dar resposta convincente ao STF, já que não tem saída técnica para dar funcionalidade à proibição (isso sem considerar que dentro em pouco se aprovará no Congresso a Lei de Biossegurança) com a ''segregação'' da mercadoria interditada e mais as irregularidades como a da pavimentação das vias de Paranaguá sem autorização do município e alvo já de embargos administrativos a impressão que fica é que a novela hitchcokiana do Porto D. Pedro II vai longe e termina bem depois de ''A senhora do destino''.

BIZARRICE No programa nacional do PPS, em junho, Fazenda Rio Grande foi mostrada como um dos poucos municípios do Brasil que cuida de segurança. A prefeitura cede 14 funcionários para tarefas administrativas à delegacia. Resultado prático: está há 90 dias sem um só homicídio e há 76 sem assalto.

AXIOMA Como é que se pretende fazer prova de candidatos a vereadores se até o presidente da Assembléia Legislativa faz aprovar matéria inconstitucional?

GLOSA A solidão do poder: domingo, pela manhã, no Café Ritz, Requião, o nosso governador, não tinha um só companheiro para tomar café. Frio afasta os D.A.S. que vicejam nas cercanias.

EPIGRAMA Contas da Urbs do exercício de 1997 foram reprovadas no Tribunal de Contas por unanimidade. As dos exercícios seguintes, por motivos semelhantes, devem ser gongadas. Pode ser o começo do fim da soberba.

FOLCLORE Médicos, que aliás se encontram em período eleitoral corporativo, foram no Procon chiar contra o que recebem das seguradoras. Se tiverem aumento quem se danará para valer será, outra vez, o usuário. Uma das chapas defende remuneração por seis horas de R$ 4 mil. É até justa, mas inviável para a realidade brasileira, mesmo que houvesse o mínimo de R$ 1,3 mil do Dieese.

CROMO Um ícone de Nossa Senhora na escama dos peixes, muito mais nítido do que a que aparece aos inspirados e privilegiados.

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