Um modelo nosso

Governos costumam se apossar dos feitos comuns da sociedade e até de fatos históricos como se decorressem de obras suas. A vinda dos empresários da China ao Paraná para estabelecer relações de comércio diretas e sem intermediários valorizou, sobremaneira, algo que é uma das nossas afirmações: o melhor modelo de cooperativismo do Brasil e que se nutriu de experiências comuns havidas na porção meridional do país e decorrente de uma interação aí estabelecida.

Não é facil em cooperativas gigantes manter o sentido da democraticidade, como pretendiam socialistas como Robert Owen. Quando da elaboração do primeiro Plano Trienal, em 1963, no Paraná, uma das apostas dos seguidores do padre Lebret era justamente no fermento que essa atuação provocaria entre a massa dos produtores. O ''solidarismo cristão'', que era o fundamento teórico da Sagmacs, Sociedade de Análises Gráficas e Mecanográficas Aplicadas aos Complexos Sociais, jogava muito nas atuações coletivas como a dos sindicatos e de núcleos religiosos como os que viriam, décadas depois, com as comunidades eclesiais de base.

Temos cooperativas de todos os portes, antenadas com o mundo até porque operando com ''commodities'' como a soja e muitas delas levando suas operações às últimas etapas do processamento tecnológico-industrial, como se dá justamente aí na produção de proteína texturizada e lecitina.

Essa circunstância de módulos diferenciados de produção alerta para o fato de que o concentracionismo capitalista não elide a pequena e a média escala e ao contrário gera um cenário de diversidade. Claro que os chineses, ao tentarem como esmagadores, fugir da mão única das multinacionais que operam no setor e que detém os maiores espaços operacionais acabam privilegiando um campo de afirmação que não se deve a um governo especificamente, mas ao conjunto de ações desenvolvidas ao longo do tempo, às vezes na contramão do Estado.
BIZARRICE Parecer no Tribunal de Contas impugnou a operação entre a Copel-Elejor. Se as coisas continuarem assim distraidamente chegaremos à democracia.
AXIOMA Fala-se por aí em compras de concessões de pedágio, o que pode indicar que as possíveis negociações entre governo e empreiteiras sejam boas para as consorciadas. Em tempo de campanha eleitoral não soa bem.
GLOSA Alguma coisa de traumático está para acontecer: há dias Roberto Requião não aparece no noticiário. Há silêncios de chumbo.
EPIGRAMA Há coisas com jeito de contrainformação: um empresário forte estaria aceitando apostas de R$ 10 mil no sentido de que Osmar Bertoldi garante o segundo turno. Muito cedo, no cenário atual, esse tipo de convicção, o que a torna suspeita.
FOLCLORE Há cinquenta anos, 1954, houve a primeira eleição autônoma em Curitiba e que marcou o surgimento da liderança de Ney Braga. Ele se elegeu e em 1958 encarou, sozinho, uma parada difícil como candidato a deputado federal pelo PDC. Só perdeu para Jânio Quadros que Souza Naves trouxera ao PTB e bateu Plínio Salgado e Accioly Filho. Munhoz da Rocha elegeu Ney como prefeito, mas pegou votação baixa para deputado federal em 58. Já em 60 Ney se elegeria como governador, mas Munhoz apoiou Nelson Maculan. Relações se deterioraram e em 1965 quando Ney apoiou Pimentel contra Munhoz da Rocha, este publicou carta de tom contundente em que dizia do ex-cunhado: ''ele trai à medida que respira''.
CROMO Me vejo no vidro na loja e de boné lembro meu avô Randolpho Veiga que era companheiro em Paranaguá do maestro Vilalobos nas madrugadas.

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