LUIZ GERALDO MAZZA
Esqueletos no armário
Só um candidato no Paraná não parece preocupar-se com a possível exploração de esqueletos no armário: Antonio Belinati. Com todas as broncas formais e o episódio da sua cassação, os inúmeros processos na Justiça, tudo isso é pouco suficiente para demovê-lo de sua postura nirvânica de que ganha a eleição. A pesquisa o demonstrou ao revelá-lo, disparadamente, à frente da maratona.
Eleição municipal é a ideal, independentemente do tamanho do eleitorado, para abrir o saco de maldades que vai muito além da caixa de Pandora. Em Curitiba a cobrança da coerência do PMDB, do seu governador e do seu candidato petista, por sua aceitação passiva na indústria das multas de trânsito, na qual soma o Detran com a famélica Urbs (e a sócia Consilux que cultua pardais eletrônicos) e os respectivos aparatos fiscais e funcionais, vai dar o que falar.
Em 1999 tanto o senador Requião como o PMDB armaram um escândalo em cima do assunto: houve denúncia na Câmara Alta, discursos vulcânicos, representação irada na Polícia Federal, resmungos contra o juiz que mandou apreender volantes da campanha do ''Cassioníquel'', prisão de correligionários como o Cláudio Fajardo, hoje diretor da Biblioteca Pública. Quem está se divertindo com o assunto é o Cândido Gomes Chagas, dono da ''Paraná em Páginas'', e que em todo o número tem uma seção voltada para o tema, mas que na edição de julho vai extrapolar com a mais rica das documentações mostrando a distância em torno do que Requião e o PMDB faziam naquele tempo e o que fazem agora, talvez por alguma vantagem pragmática daí resultante.
Em primeiro lugar, como num jogo de carambola, a lembrança atinge Requião e dois candidatos em especial, o Vanhoni, por estar vinculado, e Osmar Bertoldi por ser o preferido de Cassio e dona Marina. O Beto Richa, depois da burla de haver peitado o aumento do transporte coletivo, ainda se beneficia na medida em que o PFL faz caça às bruxas contra seus adeptos. E de certa forma o Rubens Bueno, o que não é compensado por aquela burrice contra os nanicos.
Esse tipo de esqueleto é civilizado, pasteurizado. Sobrará lama e a canalha política argumentará que ''tudo vale à pena, quando a lama não é pequena''.
BIZARRICE - Como se vê lama é o anverso de mala. E como teremos mala preta no processo eleitoral! Ficará feio moralmente alguém falar em Caixa 2. No jogo de sílabas também traduz a alma da eleição, pura lama.
AXIOMA - Depois de refrigeradores e fogões argentinos querem taxar automóveis e até os porcos. Nesse caso dá para entrar com pedido de ''habeas porcus''.
GLOSA - Ruth Bolognese disse que o PPS é apenas um nanico de salto alto. Também não deixa de lembrar o propagandista com perna de pau para simular altura. O nanismo (às vezes também onanismo) interior é doença congênita e que não se torna dissimulada pelo exercício da soberba.
EPIGRAMA - Se os bolivianos estão assim tão cheios de gás ao ponto de pretenderem a sua estatização, como prega a CUT de lá, por que não usam Luftal? Os índios olham o Lula e o chamam de ''buana, buana''.
FOLCLORE - Imperialismo só é feio quando praticado por outros. A Petrobras tem autorização da Bolívia para produzir gás em San Alberto. Um grupo de índios percorreu 1,5 mil quilômetros do Chaco até La Paz onde se juntam a milhares de manifestantes sindicais que são contra o referendo de domingo que decidirá como o país deva usar suas reservas de gás natural. Quem diria, o Brasil que fez o discurso antiimperialista pela Petrobras agora rói a corda. Aquela história de perdoar a dívida boliviana por parte de Lula lembra em tudo o colonizador europeu que comprou Manhatan dos índios em troca de vidrilho.





