LUIZ GERALDO MAZZA
O ataque e a Antaq
O ataque às obras do Porto de Paranaguá já está anunciado em editais, mas esses projetos não receberam o ''pode'' do Conselho da Autoridade Portuária (CAP). Além do mais o relatório da Antaq (Agência de Transportes Aquaviários), em relação aos pontos que suscitou como deficiências do terminal, não está concluído. Mais grave: anuncia-se a pavimentação de mais de 20 quilômetros de ruas em Paranaguá por parte da gestão portária quando inexiste sequer qualquer convênio com a Prefeitura de Paranaguá que é a dona exclusiva da faixa de domínio.
Como o ex-diretor técnico da Appa Ogarito Linhares é o candidato do PMDB a prefeito, responsável em grande parte pelos prejuízos decorrentes da péssima gestão, tudo isso pode ser interpretado igualmente como respaldo eleitoral. Tal qual se daria se saísse agora um acordo com as pedagiadas que levantaria a bola do governador e dos seus apadrinhados de um modo geral. Embora seja uma forma de exagero forçar o nexo causal entre uma coisa e outra é apropriado num momento em que a sociedade organizada derruba no TSE a abertura da torneira dos financiamentos para as prefeituras petistas.
O Tribunal de Contas teve um papel saneador na intervenção do conselheiro Rafael Iatauro, relativamente ao projeto Hermas Brandão, que Requião acabou vetando por impossibilidade de atender à pretensão generalizante da proposta e que poderia acertar todos os chunchos montados no terminal. Inclusive aquele da servidão de passagem aérea em favor de velha beneficiária de negócios. Fora os chunchos alados há os terrestres como o das milhares de toneladas de soja que desapareceram. Dá para imaginar se a mídia fosse mais atenta e a oposição mais determinada, bem como a cidadania mais antenada, o quanto melhoraríamos.
O projeto Hermas Brandão mostrou que quando o governador se convence de um erro procura corrigir. O caso do salário dos professores foi um deles, mas infelizmente isso nem sempre é frequente e a consequência é assimilar, cada vez mais, prejuízos, como o da draga que não dragou e outros que virão.
BIZARRICE - Tanto Lula como Requião, esse entrou na cola, tentam criar clima de euforia em relação aos 18 meses de governo. O desmascaramento dessas fantasias vem mais rápido do que se imagina: segundo a ONU, o Brasil perdeu sete posições no ranking de desenvolvimento humano em 2003. Estávamos em 65º e caímos para 72º. Não foi o medo que expulsou a esperança, mas a realidade.
AXIOMA - Pelo prejuízo provocado, a draga era um verdadeiro dragão.
GLOSA - Diferença entre o legal e o legítimo: Maurício Requião até poderia acumular a condição de secretário com a de coordenador de campanha do PT-PMDB (há ainda a considerar que sua mulher é candidata à vereadora), mas rigorosamente não deveria fazê-lo. Pode ser legal, mas não é ético.
EPIGRAMA - Uma das definições clássicas de Direito é a de que se trata do mínimo ético. Explica-se: são duas esferas concêntricas e a externa, mais abrangente, é a da moral; a menor, a do Direito. Por isso mínimo ético.
FOLCLORE - Pib per capita do Brasil, de US$ 7.770, embora igual ao de países de desenvolvimento alto, segundo a ONU, é pessimamente distribuído. Circunstância essa leva a uma velha definição segundo a qual o ''per capita'' é abstração socializante segundo a qual a soma do que ganho com à do meu patrão, mais à do Ermírio de Moraes e às do vigia do prédio e do catador de lixo que atende o bairro dividido por cinco dá a nossa renda. É uma fantasia quase igual a esses US$ 60 milhões que teríamos economizado de royalties da Monsanto por causa do bloqueio aos transgênicos.





