Gôndolas regionais

O nosso governador é uma espécie de Chavez, da Venezuela, quando teoriza sobre nacionalismo com idéias fechadas, autárquicas. Ninguém esquece do seu conceito precipitado sobre a Cidade Industrial de Curitiba que chamava, com a compulsão costumeira pelo frasismo, de ''campo de golfe das multinacionais''.
Paradoxalmente, ano passado, foi homenageado pela AECIC, que congrega empresas daquele complexo fabril, e com muita justiça, pelas medidas que o seu principal secretário, Eron Arzua, adotou no campo fiscal aumentando o poder de competição paranaense, via estímulo tributário. Nesse caso ajudava a incrementar a presença de produtos da terra nas gôndolas dos supermercados.
Nada disso, porém, justifica essa visão autárquica que denotou das falas sobre a inauguração do hipermercado dos Muffato em Londrina, o que é muito importante em termos regionais, mas que não exclui a necessidade da presença de competidores mundiais como o Wal-Mart e o Carrefour pela obviedade de que eles só se apresentam onde há progresso e dinamismo. Às vezes, a substituição do empresário nacional e regional pelo multinacional é prejuízo. Exemplo claro em Curitiba da absorção da Rede Mercadorama pelo Grupo Sonae porque houve, de forma clara, perda de qualidade nos serviços. Mais exceção do que regra, já que em setores competitivos o consumidor sempre tem mais alternativas.
BIZARRICE - O ICI, Instituto Curitibano de Informática, apareceu num rolo em Fortaleza e chegou a ser suspenso. Aqui a suspensão provocou o caos na saúde pública. E lá o Judiciário cancelou a restrição que poderia desagregar a rede de atendimento, tal qual se deu no Paraná.
AXIOMA - Requião negou, embora a imprensa argentina o confirmasse, que houvesse dito que o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, era empregado da Monsanto. Isso pode ser suficiente para que haja desistência do processo. Nada justifica, porém, que nenhum membro do governo estivesse em sua palestra. Isso acaba dando razão aos que dizem que para Requião só há inimigos e vassalos.
GLOSA - Outro ato de submissão intolerável foi o de Vanhoni na palestra de Jacques Wagner no Sinduscon ao fazer defesa de Requião quando alguém reclamou regras mais claras e maior firmeza das agências reguladoras. Levou um puxão de orelhas do dirigente Ramon Dória que não viu sentido numa exploração política de algo técnico e que angustia a construção civil. Incrível que quando Requião critica Lula nenhum petista se mexe por temor reverencial ao cabo eleitoral mais conveniente do momento. Caráter, insumo raro. Que se ''custa caro'', como dizia o poeta Sidônio Muralha e Requião repetia,'' pago o preço''.
EPIGRAMA - O número 1 da publicação de Cid Destefani ''Veracidade'' traz ótima documentação sobre a Rua XV desmistificando muitos dos feitos de Lerner. Melhor essa documentação na mão de um particular do que do governo que fez desaparecer mais de 50 mil negativos sobre o Paraná dos anos 50, feitos pelo fotógrafo alemão Peter Scheier, contratado por Munhoz da Rocha.
FOLCLORE - A greve mais rápida e eficiente de Curitiba dos últimos tempos foi a da Urbs. Uma lição para esses tempos de precarização do trabalho numa forma de greve fulminante com resposta imediata. No final um dirigente sindical ainda fez blague: de nós da Urbs esperem tudo, menos desprezar a urbanidade.
CROMO - Na bolinha de gude, translúcida, o menino estuda outra astronomia.
AFORÍSTICO - Ontem, apesar do frio, o circo eleitoral na Boca Maldita. Porre de democracia não dispensa Engov, Plasil e Dramin. Enquanto Santa Felicidade entulha o bucho de cabos eleitorais, as farmácias se divertem.

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