LUIZ GERALDO MAZZA
O político e o jurídico
Embora nem sempre seja fácil separar o ''político'' do ''jurídico'' porque muitas decisões do Judiciário fogem ao rigor dos códigos, percebe-se nessa pendência entre o governo e acionistas minoritários da Sanepar um empenho para que ações políticas possam se sobrepor às judiciais. A politização do tema é o tom dominante e isso desde o início deste governo. Agora, como o STJ tornou sem efeito o decreto do governador que alterou o pacto acionário da estatal, há a deflagração de movimento orquestrado por parte de prefeituras ameaçando romper seus vínculos com a Sanepar para aprofundar o caos, isso sem falar ameaças de greves e até de mobilização de centrais sindicais para defender Requião.
É a repetição, em tom mais civilizado, das ações selvagens que vieram com o inútil movimento pela encampação do pedágio nos bloqueios das praças pelos sem-terra e caminhoneiros. Esse apego à demagogia pela via traumática já era do dispositivo da primeira gestão como a boçalidade da invasão da Ferrovila.
É uma forma falsa de ''provocatio ad populum'' pela manipulação de pessoas e entidades, aspones e ''laranjas'' de todos os portes. Trata-se de confissão antecipada de falta de argumentos de ordem jurídica e que pelas sucessivas derrotas ajudarão a manter, pela insistência, a falsa postura de justiceiro do governo e o ônus da insensibilidade. Coisas dignas do Benito e dos camisas pretas da Itália, que também era socialista e acabou endireitando e confiando sempre na força das brigadas, o poder paralelo que pela intimidação se propõe a superar, tangenciar ou aniquilar o princípio do Direito.
BIZARRICE Há inflação de ''pé frio'', gente que dá azar, nessa campanha de Curitiba. Os mais fortes estão justamente nos comitês de Vanhoni e Beto. O que é razoável na medida em que reequilibra o processo e dá chance aos outros. Por aí se conclui que o ''pé frio'' é uma necessidade poética da democracia.
GLOSA O escritor e semiólogo Décio Pignatari deu show anteontem no Jô da Rede Globo e fez ainda ''merchandising'' em favor da Travessa dos Editores, onde foi produzida sua última obra. Fez algo que paranaense normalmente não faz: o elogio a instituições da terra, no caso a editora de Fábio Campana.
EPIGRAMA A Bandeirantes, que faz dragagem em Paranaguá, recebeu a primeira fatura de R$ 5,7 milhões pelos serviços que não prestou no Porto. Mais vale quem um Deus de plantão ajuda do que quem cedo com a draga madruga.
FOLCLORE Como a estrada da Ribeira (faltam apenas 30 kms para a conclusão) foi interrompida por um fiscal do Tribunal de Contas da União, o prefeito Élcio Berti, de Bocaiúva do Sul, estrilou. E se inaugurar logo o Ovniporto, que vem prometendo, poderá convocar aliens para guerrear burocratas federais.
CROMO Maria branca lunar: estava assim ontem, mas amanhã, rubra ''como um cravo cor de sangue'', será obviamente a aurora.
AFORÍSTICO A redescoberta da Coluna Prestes rende livros: Laércio Sotto Maior concluiu um e que reune a visão poética sobre o movimento e seu líder e Milton Ivan Heller junta material (documento, iconografia) para ensaio histórico.
VINHETA Pontal do Sul quer tirar de Paranaguá, o que está garantido em decreto de FHC, o direito a explorar a ''Ponta do Poço''. A idéia é uma concessão da União ou exploração municipal como se dá em porto catarinense. É a bandeira de campanha prefeitural do PL e de Albino (Bino) Tramujas. Como o Porto vai mal, a expectativa é a de que também aí Paranaguá leve a pior.





