LUIZ GERALDO MAZZA
Paraná sub judice
Só nesses 18 meses já houve duas decretações de intervenção federal no Paraná pelo Judiciário. A derradeira, relativa à invasão pelo MST da Fazenda Sete Mil, está levando o advogado dos prejudicados que obteve a medida por unanimidade no STJ a cogitar até de pedir o impedimento do presidente Lula que já foi oficiado pela justiça e não teria tomado qualquer providência.
O fato é que estamos com o Paraná amarrado em pendências judiciais que tendem a imobilizar setores do governo como se deu com o caso da Sanepar e a Dominó Holdings em função do pacto acionário e da decisão do STJ. Apesar da nota pública dos acionistas minoritários, que pelo jeito ganharam algo que não pretendiam e que vai muito além dos seus objetivos, o que se percebe é que não apenas o Palácio Iguaçu, mas o próprio Estado, a unidade federativa, carece de um ''descarrego'' ou, no mínimo, de uma chuva torrencial de água benta.
BIZARRICE - Requião vive a pichar o seu antecessor, mas, além de nomear alguns deles para a sua equipe, chegou ao ponto de designar o Edgard Hubner, criador dos Jogos da Natureza de Lerner, para a área do esporte. Como Requião só muda o nome das obras de Lerner dará agora outra designação: ''Mercosul lúdico''.
AXIOMA - Rescindir contratos dá prejuízo. A ''Bandeirantes'', encarregada da dragagem de manutenção do Porto de Paranaguá, foi expulsa do local e agora, como fez um acerto judicial com o governo, ganhou dezenas de milhões de reais pelo tempo em que estava contratada e nada realizou porque tinha recebido um cartão vermelho da administração do terminal. Vai além de Yonesco e Kafka.
GLOSA - Gionédis não pode figurar como aliado, mas Ogarito Linhares pode.
EPIGRAMA - Se tribunais superiores continuarem derrubando medidas do governo dá para perceber que o passivo jurídico não será pequeno. Em compensação o ativo político, no qual o governo surfa, parece bom, conforme pesquisas.
VINHETA - Ao fartar-se de ostras, Vanhoni passou mal. De qualquer forma é bem melhor do que o ostracismo, do qual nem de longe se vê ameaçado.
FOLCLORE - A história da draga ''Bandeirantes'' lembra a observação do Vampeta segundo a qual o Flamengo fingia que pagava e ele fingia que jogava. O governo repetiu a façanha do ''baixa ou acaba'' do pedágio com um novo adágio: ''ou draga ou não pagamos''. Enquanto discutiam, a empresa foi à justiça e ela que nada fez nos 18 meses recebeu pelo não feito. Não dragou e recebeu.
CROMO - O punk de terceiro mundo (seria diferente o do primeiro?), catatônico, uma estátua de desmazelo na rua, ajuda a compor, com suas cores e adereços metálicos, o tom exato do McDonalds.
AFORÍSTICO - Essa disputa pública entre Paulo Pimentel e seu genro, Luis Mussi, e que alcança a filha Yvone Pimentel Mussi, em torno de dívidas, extrapolou o ambiente familiar, onde deveria ter sido metabolizada. Pimentel tem sido, ao longo de sua carreira como empresário de comunicação, vítima de violências que partem de governos como a perda da programação Globo e de uma estação de rádio e outra de tevê. Foi um leão nos conflitos que tinham caráter político, mas essa é forte demais e curiosamente num momento em que está bem com o governo. Só que o genro também.





