Fim de linha?

Sintomático o fato de o deputado estadual Nereu Moura estar pleiteando que o governador abra, o quanto antes, negociação com as consorciadas para deter a inevitável onda de desgastes, inclusive na eleição municipal em todo Paraná, provocada pelo não cumprimento da promessa de baixar ou extinguir o pedágio.
Quanto mais demorar e acumular perdas judiciais piorará o poder de barganha do Palácio Iguaçu, afetado agora com os sete meses de não cobrança do aumento e que vão figurar na busca do reequilíbrio das empresas. Não está, portanto, em condições de impor e coagir ou mostrar prepotência e soberba para acuar as empresas, como fez interiormente.
Se efetivamente tem elementos para comprovar lucros draconianos que os apresente na hora da discussão do acordo ou ao menos se valha da técnica de persuasão que o levou a negociar com a ''Caminhos do Paraná''. A ruptura dos contratos, de forma unilateral como vem fazendo, será fulminada claramente nas instâncias superiores, como já se viu.
Deve valer-se do apoio esmagador que a população lhe dá nessa luta porque ninguém concorda com os valores escorchantes do pedágio e que afetam, sobremaneira, o custo Brasil. Una-se à Ocepar, às transportadoras e a todos que sofrem com esse tipo de ônus. Sem mistificação, sem cartas e dados viciados, dá para jogar por uma causa de todos.

BIZARRICE Eduardo Requião e Ogarito Linhares, candidato a prefeito do PMDB em Paranaguá, estão em Portugal a pretexto de visitar cidades portuárias. Bastou lá chegarem e Portugal perdeu a Eurocopa.

AXIOMA A tese de Fruet que cancela legendas que não apresentarem candidatos em duas eleições presidenciais consecutivas não fruetificará. Para dar vexame com Ulysses Guimarães ou Orestes Quércia como ocorreu anteriormente não compensa. E convenhamos que o PMDB sobreviveu a tudo isso.

GLOSA ''Quero fazer votos que o governo Lula não vacile quando precisar vetar projetos entreguistas...'' Do discurso de Requião anteontem. Espera-se que não hesite em vetar a vergonheira ilegal do projeto Hermas Brandão que é, a um só tempo, entreguista e casuístico em favor de grupos privados.

FOLCLORE Ninguém brigou tanto com o Tribunal de Contas como Aníbal Khury. Quando o TC vinha em cima de correligionários do ''turco'' na base da prensa, ele desengavetava um projeto fajuto, claramente inconstitucional, que criava o Tribunal dos Municípios. Isso é jogo elegante, peteca de aristocrata. Já a reação de Hermas contra o ponto de vista, corretíssimo de Rafael Iatauro, é tacape, algo da proto-história, lembrando que o TC é orgão auxiliar, o que, no entanto, não dispensa seu direito e obrigação de opinar sobre a legalidade orçamentária dos atos, o que é de sua exclusiva atribuição, já que é quem examina as contas do próprio Executivo, como ocorreu recentemente. Mesmo as relações entre órgão dependente e superior não dispensam a educação.

CROMO Leitura de olhar sobre a íris nem médico mais adota. Mas nada me impede de, com uma dose de ilusão, tentar decifrá-la de olho em você.

AFORÍSTICO Na greve da Urbs as multas continuaram porque ninguém pensou em desativar os pardais eletrônicos.

VINHETA Se Lerner fosse eleito presidente, o Cândido Gomes Chagas lançaria a revista ''Brasil em Páginas''.

FILIGRANA Que coisa mais antiga essa dicotomia de direita e esquerda, usada ainda pelo governador. Uma leitura de ''Direita, Esquerda'' de Norberto Bobbio, senador vitalício da Itália, já falecido, é remédio indispensável.

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