LUIZ GERALDO MAZZA
Fidelizar as pesquisas
A diferença de números de pesquisas eleitorais do Ibope, uma contratada pelo PT e outra por uma rede de televisão, em São Paulo, e com uma distância de menos de uma semana, é assunto sério demais para passar batido. Na do PT a candidata Marta Suplicy aparecia praticamente empatada com Serra e Maluf e na outra estava distanciada em terceiro lugar.
O Ibope é a nossa maior e mais consagrada instituição até porque responsável pela medição da audiência rotineira de rádio e televisão e pioneira desse hábito entre nós com metodologia tida como científica. Como é visível, ainda mais quando o eleitorado não está embalado e motivado, como se dá no momento em que mal se cicatrizam os efeitos das convenções, o poder de indução dessas sondagens indispensável é que se busque uma forma de fidelizá-las para que não se transformem em instrumento de manipulação.
Depois daquele episódio da Proconsult, em que se denunciou uma tentativa de burlar os resultados eleitorais no Rio de Janeiro e que beneficiavam Brizola e manipulados em favor do seu adversário já deveriam ter levado a Justiça eleitoral como os partidos políticos a buscar formas mais seguras não apenas de pesquisas, como também de apuração eleitoral, como era aquele caso.
Em Curitiba, na eleição majoritária para o Senado, testemunhei uma dessas encenações e que na verdade não visavam mudar resultados eleitorais e sim, sustentar uma apuração dos votos, manipulada, para evitar a fuga dos fiscais do partido oficial, a Arena. Foi em Londrina que os partidários de Richa perceberam que as ''apurações'' oficiosas, especialmente de Curitiba, feitas pela TV Paranaense e a Rádio Clube, davam números irreais. O objetivo era manter a fiscalização, o quanto mais possível, atenta. É possível que igual objetivo tenha se dado no Rio, mas ali havia Brizola e esse com o discurso apocalíptico ganhou mais força até na apuração.
Não há argumento aceitável que justifique resultados díspares como os de São Paulo em tão curto espaço de tempo e pelo mesmo instituto que deve também empregar idêntica metodologia. Urge aprofundar a reflexão. Sério demais para que se conceda razão a amnésia brasileira em relação à política.
MEMÓRIA Nesse evento eleitoral a que me referi José Richa, com Enéas Faria na sublegenda, do MDB enfrentava Túlio Vargas, candidato oficial, ao Senado. Túlio saiu na frente, mas na soma da legenda e sub, Richa foi consagrado. Parece que o objetivo dos estrategistas, dentre eles Affonso Camargo, era mais o problema da eleição proporcional (empate nas cadeiras da Câmara e ganho por duas vagas para o oficialismo no legislativo estadual), já que, por ordem do governador Cannet Júnior, a Arena não empregou sublegenda que foi pleiteada por Cândido Martins de Oliveira, do grupo pimentelista. Se participa não superaria Túlio e a vaga senatorial estaria garantida.
Um assessor de Affonsinho-Cannet monitorava os noticiários da tevê no Canal 12, onde eu exercia a direção do jornalismo, e um outro desempenhava papel idêntico, diretamente do Palácio Iguaçu, junto à Rádio Clube. Num determinado momento de descuido do ''censor'' botei no ar um filme colorido de Londrina como ilustração e com Richa disparado no segundo maior colégio eleitoral e furei a ''bolha'' da encenação. Todavia a medida evitou a fuga de fiscais e manteve o oficialismo bem na proporcional. A majoritária não foi vencida pela resistência do governador em não querer uma sublegenda que pudesse beneficiar um adversário, ainda que pouco provável que Túlio perdesse para Candinho.





