A cidade em debate

Teremos nesse pleito um debate sobre a cidade, a sua vocação, necessidade de rupturas fortes? Obviamente não. O personalismo e a aura do homem providencial estarão presentes, tudo com o molho dos marqueteiros.
Um dos argumentos que o PT tem usado, em nível nacional, seja para afastar receios ou para ampliar a sua credenciação, seria o suposto sucesso das gestões em grandes centros como Porto Alegre, Campinas, São Paulo etc. Aqui no Paraná, pela experiência recolhida, o acervo não é satisfatório.

Essa é justamente uma linha de argumentos que se poderá usar em Curitiba pela não conveniência de um teste desse porte, levando em conta o ocorrido em Ponta Grossa, Londrina e Maringá por exemplo, afinal três importantes centros urbanos. Em todas os postulantes petistas aparecem mal nas pesquisas.

Na verdade não tivemos nessas cidades e em outras de menor porte, onde é mais difícil manter o poder até pela proximidade do eleitor, experiências densas como as vividas em Porto Alegre ou nas grandes cidades paulistas como Ribeirão Preto e Campinas, em que foi possível aprofundar e capilarizar a força dos grupos de pressão dos movimentos sociais partidarizados. Uma das fantasias para sugerir ''rigor cívico'' e ''transparência'' é o tal do ''orçamento participativo'' que não é nada do que dizem e sugerem até porque não tem o menor sentido um envolvimento abrangente das comunidades em temas técnicos.

Ao fazer alianças à extrema direita e com facções fisiológicas o PT apela para um mimetismo tal qual o da perereca no meio do verde da mata que visa ocultar a sua ''persona'' efetiva, se é que existe. Em Curitiba o partido maior, o PMDB, abriu mão da candidatura própria em favor do partido, operando como seu estepe, o que se deu em apenas duas capitais brasileiras.

BIZARRICE Aí, em meio à assembléia de petistas, um dos mais antigos militantes ponderava sobre as alianças estapafúrdias acertadas pelo partido e fazia a clara advertência: '' de realismo em realismo chegaremos à realeza!''
AXIOMA ''Mas não se mata cavalo?'' é novela clássica de Horace Mccoy. Lá no Canguiri, residência bucólica do governador, já morreram dois cavalos. Um deles com o Ratinho na montaria. Cuidar de cavalos como se afirma cuidar da soja pura é uma recomendação, embora na prática não seja bem assim.
GLOSA Se há tantos deputados bacharéis em Direito e ainda na Assembléia tantos procuradores como é que passa uma Lei como a do Hermas Brandão?
EPIGRAMA Com essas exigências do ''politicamente correto'' no cinema e tv corremos o risco de ver Julieta dando a camisinha a Romeu na hora da transa. Tal se exigiria de Hamlet em relação à Ofélia. Chatice piramidal.
FOLCLORE O Paraná poderia ser um grande pólo de cítricos. Quando da campanha contra o cancro cítrico por São Paulo, dos anos 50 até 70, ficou visível o empenho em nos deixar de fora e só muito mais tarde tocamos os nossos pomares e a nossa primeira fábrica de sucos. Mas politicamente e as eleições municipais estão aí para demonstrá-lo temos mais ''laranjas'' do que paulistas e cariocas. A confusão com os vices é uma prova.
CROMO A poesia de Carlos Pena Filho é arte plástica versejada e na forma bem clássica do soneto. Vai além de Rimbaux na busca/encontro do cromático.
AFORÍSTICO A lei Hermas Brandão é pura prestidigitação: é tirar um container de uma cartola de mágico. Tirar coelho é infantilidade.

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