Limites geográficos

Jamais constou da pauta dos últimos governantes exames sobre fixação de limites territoriais, embora o Paraná tenha uma pendência insolúvel a respeito com São Paulo. Essa indefinição já criou tumultos na região embora se trate de área de demografia rala e nela tivemos o fisco dos dois estados ferrando os seus contribuintes.
Nos anos 20, século passado, houve o Laudo Epitácio Pessoa que tentou dirimir a controvérsia, mas tudo permanece na mesma. O falecido Reinhard Maack, nosso perito na causa, um dos mais respeitados geólogos, defendeu com brilho a tese paranaense.
A troco de que levanto esse assunto? Simples: há nesse momento uma pendência grave entre o Pará e Mato Grosso em cima de uma situação parecida com a nossa ante São Paulo. Dois acidentes geográficos com nome igual (Cachoeira das Sete Quedas e Rio das Sete Quedas) ficam em pontos diversos, ainda que próximos, provocando a confusão. Aqui se dá o mesmo com o pico da Serra Negra e a própria Serra Negra, o maciço montanhoso da área.
Seria demais esperar que o governo se preocupasse com assunto dessa ordem quando não temos sequer uma posição bem circunstanciada, oficial, em relação à localização dos poços de petróleo que disputamos com Santa Catarina na Bacia de Santos. Há aí todas as condições para que levemos outra tunda como a havida à época do Contestado em que os argumentos catarinenses predominaram e acabamos perdendo imensas faixas de território.
O assunto não tem fundamentalismo, popularidade e emocionalismo como a causa sacrossanta dos bingos, dos transgênicos e do pedágio para figurar na agenda do Palácio Iguaçu.
BIZARRICE Clima para o governo não está bom nos tribunais superiores. No STJ, na sessão que reajustou tarifas de telefones e de pedágio (por um fato comum: a ruptura unilateral de contrato), um dos ministros foi enfático ao dizer: ''O Brasil não é uma república das bananas!''
AXIOMA Dez PMs garantindo o fechamento de um bingo e a cidade entregue, de forma absoluta, à violência, um retrato de baixa racionalidade e de aberta subversão ao mínimo senso de prioridade.
GLOSA E se o governo estadual perder as demandas judiciais e administrativas que provocou quem vai pagar o prejuízo?
EPIGRAMA A carga tributária no Brasil passa dos 40% do PIB: pelo jeito do abismo, para o qual caminhamos, ao menos não corremos o risco de passar.
FOLCLORE Depois da lei Hermas Brandão sobre contratos de concessão e de arrendamento pode-se esperar tudo, incluindo a revogação da lei da oferta e da procura e aquela outra, a da gravitação dos corpos. Esse menino de Andirá vai longe e acaba no Livro dos Recordes.
VINHETA Se a coligação de 18 partidos contra Sâmis da Silva em Foz do Iguaçu não ganhar a eleição será uma desmoralização para ninguém botar defeito. Vão ter que jogar toda a água das Cataratas na cabeça dos derrotados.
CROMO De repente nesse pedaço de mar me vejo cercado de sinais fosforescentes.
AFORÍSTICO Autonomia cultural, regional, é algo que se relega nas campanhas eleitorais: o marqueteiro, jornalista ou publicitário dos maiores centros ficam na certeza com os melhores espaços, embora nem sempre ganhem, já que essa é uma atividade em que não há invictos. O lado bom disso tudo é checar, também, a onipotência dos gênios suburbanos. Como diria o Amaral Comunista na vida tudo é dialético.

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