Cobranças inadiáveis

O PT está convencido que argumentos macroeconômicos serão suficientes para a defesa de Lula. É um equívoco, pois números redondos não bastarão para aplacar a ansiedade do povo e sua decepção, ainda mais depois da ''bolha'' de esperança que a eleição presidencial provocou. Jamais os indicadores do PIB nacional ao tempo do regime militar, e que eram bem mais satisfatórios dos que possam ser imaginados para os nossos dias, devolveram a paz ao público. Tanto que um dia o próprio Médici falou que mais importante do que o Produto Nacional Bruto o que valia era a Felicidade Nacional Bruta.
Tenta ainda o PT compensar o desgaste de Lula, no caso da eleição da Capital, com um desempenho razoável de Requião. Este apostou, em sua campanha, num tema invariável: a redução do pedágio ou sua extinção. Uma espécie de Independência ou Morte nas margens do Belém ou Ivo, em lugar do Ipiranga, com o governador, montado a cavalo como ele gosta, fazendo o papel de Dom Pedro. Só que ontem o STJ, como se esperava, por absoluta improcedência jurídica das pretensões do governo estadual, restabeleceu o aumento de 15,34% que deveria vigorar desde dezembro do ano passado nas tarifas do pedágio.
Uma a uma, as intervenções do governo podem dar com os burros nágua e gerar obrigações para o Estado que nós, contribuintes, deveremos pagar. Espera-se que o Ministério Público, que tanto se empenha em combater a inidoneidade e os prejuízos ao patrimônio do povo, cobre, na sequência, pelo caminho apropriado da ação regressiva, a responsabilidade dos governantes. O caso da invasão da Fazenda Sete Mil, já com decreto de Intervenção Federal pelo STJ, é exemplo. O ex-governador Lerner deveria ser responsabilizado, já que o evento se deu em sua primeira gestão. Seria pedagógico e poria fim à demagogia de os governantes, na ânsia de passarem por politicamente corretos, no desprezo sistemático às decisões judiciais, transferirem para todos os contribuintes o peso de sua irresponsabilidade pessoal e desrespeito ao Estado de Direito Democrático.

BIZARRICE Um outro aspecto negativo das derrotas judiciais, no caso específico do pedágio, é o de que essas decisões aumentam, e muito, o poder de barganha das concessionárias que podem requerer os atrasados indevidamente retidos por nada menos de sete meses. E esse fato pode pesar na hipótese de acordo com as pedagiadas suprimindo obras a que estariam obrigadas.

AXIOMA Agora aceitar uma tarifa de R$ 8 para descer a serra é delírio. Aliás, isso nada tem a ver, mas o proprietário da Ecovia, Cecílio Almeida, recepcionou, semana passada, em sua mansão os casais Vanhoni e Sameck.

GLOSA O juiz ao inquirir Sadam Hussein não esperava por essa: o ex-líder iraquiano perguntou de onde derivava o poder de julgá-lo. Vejam como a mudança de personagens não altera conteúdos. A cena lembrou o discurso de Fidel Castro quando do ataque ao quartel de Moncada: ''A história me absolverá''.

EPIGRAMA A lei Hermas Brandão sobre contratos de concessão e arrendamento tem todas as características de um édito feudal, precedente à Carta do Rei João Sem Terra, de 1215, a primeira constituição.

FOLCLORE Com esse aumento das tarifas de telefone deu para entender porque os torturadores chamam ''telefone'' aquela pancada seca nos ouvidos da vítima.

VINHETA Nas férias é que o povo vai sentir no lombo o ajuste do pedágio: a tarifa vai ser compensada dos aumentos não concedidos nesses sete meses. Mas até lá já terão passado as eleições municipais.

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