LUIZ GERALDO MAZZA
Polarizar é preciso (3)
O Paraná não soube tirar partido de figurar no ''ranking'' da cafeicultura mundial. Quando deflagrou, com Nei Braga, a infra-estrutura da economia com o maior volume de obras em transportes, energia elétrica e saneamento conseguiu a presidência do Instituto Brasileiro do Café com Leônidas Bório, num momento absolutamente inadequado que era marcado pela erradicação dos cafezais. Não pôde valer-se desse elemento de polarização até porque sua cafeicultura era vulnerável especialmente às geadas, mas não deixou de fazer do seu Porto, hoje em péssima fase, um elemento hegemônico e isso por estradas inadequadas como a do Cerne, obra de Manoel Ribas, e com a conexão na estreitíssima e ecológica via Graciosa.
Deve-se evitar na polarização benefício excessivo a uma região como de certa forma se deu (e fiz em tempo pelo jornal e a rádio CBN o alertamento) com o programa de industrialização de Lerner, vanguardeado pelas montadoras. Irônico é observar hoje que a produção tradicional, de nossa vocação, no interior tem melhor respondido à crise com mais desenvolvimento e oferta de emprego, oposta à concentração capitalista, financeira e tecnológica na Grande Curitiba.
O ideal metropolitano seria um desenvolvimento centrado na ''inteligência'' e menos na sedução fabril até porque o governo se descuidou, pela necessidade de dar o máximo de garantias aos investidores, além das locacionais (a nossa boa infra-estrutura, energia, transporte, água, proximidade do porto), de submeter essas montadoras a um regime gradual de nacionalização para ganhar em valor agregado e na malha produtiva que se espalharia por todos os municípios.
Tiramos escasso proveito, igualmente, das barragens de hidrelétricas em nosso território, inclusive a maior do mundo em Itaipu, embora tivéssemos nesse caso a presença de paranaenses e os efeitos dos ''royalties''. Apesar de a Copel ser seguramente a melhor do Brasil, hoje em decadência de quadros e premida pelas imposições do modelo privatizante, também aí houve sub-aproveitamento.
BIZARRICE Consta que o Onaireves Rolim de Moura, presidente da FPF, teria em seu gabinete uma espécie de subterrâneo pelo qual fugiria dos oficiais de justiça. E no Palácio Iguaçu haveria um desses labirintos?
AXIOMA Não dá para comparar a aplicação e fluidez dos jogos da Eurocopa com a vigarice da catimba do nosso futebol e do sulamericano em geral, mais bola roubada e escondida do que bola rolando.
GLOSA Nada mais convencional do que essas convenções partidárias por tudo o que tem de mimetismo, simulação e golpe.
EPIGRAMA O vereador Adenival Gomes quer a anulação dos atos municipais que permitiram o surgimento do Pinheirão e o retorno ao poder público. É só falar nisso e o pessoal do MST já esfrega as mãos, ainda mais se Vanhoni ganhar.
FOLCLORE Quem esteve em Curitiba foi o pianista Arthur Moreira Lima, um dos maiores intérpretes de Chopin, para duas festas culturais, uma do Clube Curitibano (mostra de artes visuais), outra do Graciosa Country Club (inauguração da biblioteca). Certa vez em Moscou, durante um recital, foi apresentado ao embaixador Vasco Leitão da Cunha, do Brasil.
Muito prazer, Vasco Leitão da Cunha.
O prazer é meu, Fluminense Moreira Lima.
Ao fazer a sua derradeira apresentação, anteontem, interpretou de Gottschalk, autor da ''grande fantasia triunfal'' sobre o hino brasileiro, em homenagem a Brizola e ao seu partido que usa essa peça musical nos seus institucionais.





