Polarizar é preciso (2)

Quando Londrina e Curitiba fazem os seus respectivos festivais de teatro ou de música e que figuram em calendário nacional estamos firmando uma tradição e obtendo os efeitos multiplicadores dos eventos. Da mesma forma quando abrimos um salão de artes visuais, como o paranaense, a todo o país marcamos presença forte e passamos a desfrutar os resultados do intercâmbio. Infelizmente a crise de Estado impede que façamos, como no passado, incursões na ciência e na tecnologia quando promovíamos o curso de fisiologia de microorganismos, a cargo do biólogo Metry Bacilla e com apoio da Fundação Rockfeller e do Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas.
Nosso calcanhar de Aquiles, o que há de mais vulnerável, é a classe política. A falta de credibilidade das nossas lideranças responde pela escassa atenção com que o poder central responde as nossas demandas. Algumas iniciativas da terra, nem sempre do governo, se transformaram em padrão nacional como as conquistadas pelas normas da Copel, o asfalto subdimensionado de Canet Júnior que o Banco Mundial usou como modelo, os feitos urbanísticos de Curitiba, os programas voltados para a maternidade e infância, as experiências coordenadas de planejamento no interior com participação popular (governos Ney, o segundo, e de Richa), os esforços de tecnologia alternativa e apropriada.
A presença das universidades, principalmente no passado, era fundamental. O fato de existir um organismo multidisciplinar como o já referido IBPT, todo montado com quadros acadêmicos, levou a credenciação de várias dependências de sua estrutura para representar organismos nacionais como os ligados a solos, minérios, crenologia, petróleo. O IBPT era capaz de dar respostas rápidas a problemas como o da vacinação anti-rábica na condição de fornecedor do produto
ou ainda de produzir imunizantes contra a gripe asiática. Havia massa crítica.
Naquele tempo uma posição como a de Requião sobre os transgênicos estaria assentada em ciência como se fez, por exemplo, para corrigir o erro histórico de implantar a primeira usina experimental do xisto em Tremembé (SP) e levando a Petrobras a localizá-la em escala industrial em São Mateus do Sul.
Não dá para idealizar o passado, mas o nosso presente é acabrunhante.
BIZARRICE - Hermas Brandão usa o embargo de gaveta habitualmente: agora com o projeto de aumento dos secretários e antes com aquela denúncia de Guilhobel Camargo invocando o artigo da Constituição Federal que considera perda de mandato a acumulação de secretaria pelo governador.
AXIOMA - Um dos advogados que testemunhou a incineração da urna (caso houvesse a aceitação da candidatura própria) no PMDB, Ivan Lelis Bonilha, diz que o caso citado como folclórico (o de que alguém teria contado as cédulas antes de queimá-las) é mentira. Para a realidade dura que é o partido maior se fazer em estepe do menor o império da versão, por mais maliciosa e maldosa, aparece com um jeitinho de sermão, ainda que mentiroso.
GLOSA - Por falar em mentira, continuo sugerindo que todos nós diante da praça de pedágio façamos o gesto de mãos ao alto de quem está sendo assaltado. É inútil, mas pedagógico para criticar o governo e as concessionárias.
FOLCLORE - O placar da votação do mínimo por nossa bancada está lá na ''Boca Maldita''. No das ''Diretas já'', assunto bem mais traumático, a execração não funcionou: muitos dos que votaram contra a emenda Dante de Oliveira se elegeram e vários dos que a apoiaram ''dançaram''. Episódios marcantes não ungem ninguém. Lula foi vaiado e ganhou a batalha do mínimo de R$ 260.

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