Polarizar é preciso (1)


Uma das nossas maiores deficiências no plano cultural, e que afeta de forma direta o político, é do pequeno esforço que aqui se faz para sair dos limites da autarquia. Quando se falou numa rede de televisão, que teria sua cabeça em Curitiba, no caso a OM e depois a CNT, imaginou-se o romper do isolamento e nos primeiros momentos se cuidou de trazer até nós jornalistas como Ricardo Kotscho e Dante Matiussi, o narrador Galvão Bueno, a apresentadora Marília Gabriela. Não emplacou. E até hoje o projeto se tornou minimalista.

A existência de uma editora como a ''Travessa dos Editores'', já no nome um compromisso de restauração da Editora Guaíra (anos 40, 50, 60) e que nos dava alguma visibilidade nacional, ainda que menor do que a Editora Globo de Érico Veríssimo em Porto Alegre, é no momento uma expressão forte não apenas pelas obras que edita (a derradeira o livro de Belmiro Valverde ''O Brasil não é para amadores''), mas por revistas como a ''ETC'', provavelmente a melhor da América Latina, e o ''Caderno de Idéias''.

Tivemos ''Joaquim'' no passado, ''Nicolau'' recentemente e hoje ''Rascunho'', um jornal de literatura para o Brasil como os dois anteriores, embora sem a capilaridade que o segundo alcançou por se tratar de iniciativa pública e, assim, de um Mecenas que dispensa sofrimento. Osvaldo Miranda, com a sua ''Gráfica'', que busca reeditar em Sampa, nos colocava no mundo em termos da estética da propaganda. Anteriormente mais tímida tivemos ''Forma'' de Cleto de Assis e Philomena Gebran.

Precisamos concatenar esses esforços porque nos darão identidade e força.

BIZARRICE - Entre os inúmeros comentários sobre o afastamento dos tucanos da prefeitura e o rompimento com Taniguchi houve a observação de que aquilo estava como o diabo gosta. Bastou isso para que sugerissem que a metáfora se referia a alguém, parecido com o ''coisa ruim'', entre os candidatos. Está mais fácil o demo do que um santo por aí.

AXIOMA - Vitória de Pirro é mais ou menos o que houve em Londrina com Hauly cuja indicação provocou 40 baixas no PDSB, talvez mais do que a de Fruet no PMDB.

GLOSA - Com toda essa história de que o brizolismo era muito forte especialmente no oeste-sudoeste, o PDT só existiu, de fato, no Paraná com a liderança do ex-prefeito Jaime Lerner. Este merecia, mais do que Lula, no entanto, ser saudado com o ''você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão''.

FOLCLORE - O que fica melhor na turma de Lerner e Cássio Taniguchi: o canto da ''Internacional Socialista'', como se fez no guardamento de Leonel Brizola, ou o entoar de ''New York, New York''? Dá para lembrar deles cantando.

FOLCLORE - Um dado pitoresco na última convenção do PMDB é relatado: a urna que continha os votos para Rafael Greca e Gustavo Fruet chegou a ser aberta, ainda que a ordem fosse para incinerá-la. Greca teria ganho com grande vantagem. Foi melhor para Gustavo Fruet não sofrer tal decepção. Consta que houve queima das cédulas, uma a uma, e conferida pelo indiscreto que divulgou o resultado. Como se vê, o Fruet foi duplamente queimado, primeiro por Requião e depois por seus pouco amestrados correligionários.

VINHETA - Entre os que estavam nas homenagens a Brizola em Porto Alegre ontem o ex-presidente do Conselho da Autoridade Portuária, José Carlos Mendes, que veio do exílio com o caudilho e viu a sua entrada na Internacional Socialista.

CROMO - A Estátua da Liberdade, em Nova York, fez uma reverência a nossa Maria Duarte. Não é para menos: até as pedras reagem à suavidade de sua passagem.

AFORÍSTICO - No Brasil o mundo virtual é mais forte do que o real. Basta ver Brasília ou o Centro Cívico para perceber que é mais fácil descobrir quem matou Lineu na Globo do que o ocorrido com a queima de

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