LUIZ GERALDO MAZZA
Cicatrizes familiares
A saída de Eleonora Fruet da Secretaria de Planejamento é uma resposta óbvia do clã familiar à armadilha da convenção municipal do PMDB, na qual a aliança do oportunismo se sobrepôs às razões permanentes da agremiação. O afastamento foi procedido de forma educada e respeitosa, o que prejudica seriamente a gestão de Requião tão pobre de quadros e que tinha em Eleonora e mais em Heron Arzua, Stephanes (que agora a substitui) e Renato Adur o seu núcleo mais brilhante e imaginativo.
Para o governador talvez o pior não seja o afastamento dos irmãos Eleonora e Gustavo, já que o afastamento de Claudio, o advogado que cuidava das centenas de demandas de Requião na instância superior em Brasília, é uma baixa das mais sérias pela forma paciente com que tratava dos inúmeros conflitos jurídicos que marcam o estilo do nosso governador. O governador, que é cioso na defesa da própria família, ao opor sincera e tenaz resistência à substituição do seu irmão Eduardo, exigida pela comunidade de Paranaguá, da administração do Porto D. Pedro II, há de compreender que a coesão dos Fruet se funda em razões bem mais consistentes e agregadoras.
Quando a família se divide em processo eleitoral há sempre motivo de tensão, tal qual se deu na eleição municipal passada quando Eduardo se sentiu forte o suficiente para disputar a prefeitura de Curitiba pelo PDT quando o seu irmão, Maurício, concorria pelo PMDB em função de pressões de Roberto que, naquele ato, alijaram Gustavo Fruet da disputa polarizada. Às vezes, a divisão interna de uma família é inevitável como ocorrerá na dos irmãos Dias se Alvaro insistir, outra vez, em sair candidato ao governo quando Osmar parece em tudo a bola da vez por ser a alternativa do ''novo'' no processo repetitivo e irritante. Se Osmar é o postulante na eleição passada, possivelmente Requião tentaria uma reeleição, aparentemente tranquila, na Câmara Alta. A insistência de Alvaro e possivelmente a intervenção do patriarca em favor do filho mais velho acabaram impondo o repeteco.
AMARELOU? Enquanto o nosso governador ficava com a ladainha dos transgênicos e vinha com sugestões tímidas para identificar sementes de soja com corantes, o seu colega do PMDB, Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, foi à China junto com a missão brasileira que obteve um acordo com aquele país. Essa era questão bem mais objetiva e concreta e que tinha a mais profunda repercussão em nossa vida econômica, até porque, das cargas interditadas, nove eram da terra. Não se pode dizer que o governador tenha ''amarelado'', como alguns adversários estão sugerindo, mas que não foi o ''guerreiro'' que costuma projetar nem se discute, tamanha a evidência.
BIZARRICE Em Paranaguá a administração do Porto quer pavimentar com cimento as vias da cidade desconsiderando que para isso é indispensável convênio, já que quem tem o domínio sobre o arruamento é a prefeitura. Mais uma convulsão bem no estilo da moda. Se o prefeito exercer o seu direito se dirá que ele não quer salvar a malha urbana da cidade, prato eleitoral apimentadíssimo.
AXIOMA Se a TV Assembléia for usada por Hermas Brandão como Requião faz com a Educativa teremos uma campanha senatorial com deformação congênita.
FOLCLORE Anunciou-se ontem que Cassio Taniguchi afastaria os auxiliares que ficarem com Beto Richa. Se o ponto de vista da jornalista Ruth Bolognese de que tudo o que se faz na prefeitura da Capital é obra da dona Marina, só mesmo a renúncia do prefeito a desmentiria. Não deixaria, porém, de ser uma prova de que Cassio está ainda com o Beto Richa, seu candidato 2 que quase se enrola solidariamente no risco do Caixa 2, felizmente afastado para os dois.





