LUIZ GERALDO MAZZA
A mania da panacéia
O Brasil tem algumas manias endêmicas: a de crer no homem providencial, caldo de cultura para criar populistas e fascistas, e a de confiar nas panacéias, quer dizer a poção milagrosa que se enxerga nos remédios indicados. Assim foi com as ''Diretas Já'' tal qual se repetiria com a Constituinte de 1988 e ora se dá, nas mínimas coisas, como a redução da taxa de juros. Setores maduros da sociedade brasileira embarcam nessa como se vê na postura do empresariado em relação aos juros, realmente delinquentes, mas que nem por isso irão salvar o Brasil no caso de uma baixa, que no momento atual seria irresponsável.
Até o salário mínimo se transfigura em salvacionismo como se viu nesse ajuste de R$ 15 reais no Senado como se tivesse o poder do testículo de touro, anunciado num bar de Curitiba como a ''salvação da humanidade'' por seu teor afrodisíaco. Na concessão que diariamente fazemos ao espetáculo, como se não tivéssemos perspectivas de fugir dessa vassalagem, vemos a sagração e a seguir a decadência das panacéias como, por exemplo, a da CPMF. Imaginada pelo médico e humanista Jatene como a salvação para investir em saúde e logo jogada no bolo pantagruélico do Estado pródigo, eunuco (a comparação é de Belmiro Valverde em ensaio no último ''Caderno de Idéias'') e sem condições de criar fatos e neles intervir, é uma evidência dessa tradição.
As ''Diretas Já'' foram derrotadas, mas tiveram um mérito na desmistificação da Rede Globo, que procurou ocultar o movimento e mobilizou partidos para a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Tancredo virou panacéia com as suas primeiras ações (Affonsinho Camargo era um dos seus articuladores) e não morreu como passarinho, mas consagrou seu porta voz Antonio Britto que se fez constituinte e acabou governador gaúcho. A carta de 88, também salvadora, tornou o Brasil ingovernável e uma das maiores demagogias do Doutor Ulysses e o clube do poire foi a unificação do sistema funcional entre celetistas e estatutários decretando a quebra, aí sim, da previdência.
E como somos sado-masoquistas já está no disparo uma reforma constitucional, novamente para salvar todos nós e o Brasil.
O NÃO FAZER O que caracteriza o governo paranaense é o ''não fazer''. Não sai da mídia, das denúncias contra a gestão anterior e dos conflitos com Lula, mas rigorosamente nada faz. Abandona o ''Parque da Ciência'', deixa-o sem qualquer manutenção durante 17 meses e depois denuncia as deficiências provocadas por sua própria desídia. Obra de gênio, digna de Yonesco.
INTERVENÇÃO Há uma espécie de ''intervenção branca'' no porto de Paranaguá com o comando do Conselho da Autoridade Portuária por um integrante da Antaq. Na reunião de anteontem, logo no primeiro item, deu rolo: pretendia-se saber por que Eduardo Requião extinguiu fundos (de dragagem, de ensilagem) e drenou tudo para um bolo só. Um pedido de vistas interrompeu a discussão.
NO PONTAL Albino Tramujas, o Bino, já tentou ser prefeito de Paranaguá e não conseguiu. Agora o seu projeto político é a prefeitura de Pontal do Paraná e uma de suas bandeiras vai ser o porto da Ponta do Poço, matéria controversa e que ultimamente voltou à baila.
MEXERICO Em conversas com jornalistas do litoral o ex presidente do Conselho da Autoridade Portuária, José Carlos Mendes, designado por Requião e tirado do posto por decisão federal, disse que o atual Ministro dos Transportes, no seu caso específico, se deixou levar por mexerico.
BENZIMENTO Essa confusão entre Pará e Paraná por causa de casos de aftosa e que teriam determinado a supressão da compra de carnes daqui é indicadora de que precisamos urgente de benzimento. Ou então que chova água benta sobre nós. Depois da história da soja e mais essa não dá para brincar.





