LUIZ GERALDO MAZZA
Melhora no temário
Pelo menos a pauta da campanha eleitoral se tornou melhor com a decisão do TSE que arquivou o processo do ''Caixa 2'' que se tornara no refrão mais estridente da oposição e que de fato acuou Taniguchi de tal maneira que acabou impedindo que Lerner o lançasse como seu sucessor, o mais qualificado para o papel. É uma limpa apreciável no temário e que abre oportunidade para outras incursões e tira também esse ar de vítima do candidato petista como se a suposta e nefanda verba fosse tão culpada por sua derrota como a precariedade notória do seu verbo.
As primeiras notícias do tal ''Caixa 2'' falavam em mais de R$ 30 milhões e depois que o assunto passou às mãos de autoridades competentes o ''alcance'' caiu para pouco mais de 2% do alardeado. Um carnaval intenso se estabeleceu e dava-se como certo que a qualquer momento o prefeito cairia e com ele o vice.
O açodamento foi visível, tanto que o Ministério Público estadual nitidamente sem competência para o exame da matéria se incumbiu de todo o barulho. Aliás isso já havia ocorrido também com o caso ''Ferreirinha'' no impedimento de Requião em 1993 pela ausência de citação e testemunho do vice Mário Pereira, que montou junto com Osmar Dias toda a resistência política do PMDB, e que era um ''litisconsorte necessário'' do beneficiário.
É verdade que ocorrências desse tipo podem decidir uma eleição: Lerner venceu Alvaro Dias em grande parte por causa da exploração do caso das bombas de gás lacrimogênico diante dos professores que se aproximavam demais do portão principal do Palácio Iguaçu e que foram alvo de ação dissuasória. Nos comícios os mestres iam de luto e ficavam de costas para o palanque. Depois se arrependeram porque não ganharam o que esperavam pela adesão.
Mais propostas e menos tapetão, mais compromissos e menos propostas safadas, mais autenticidade e menos circo. É isso que se espera em toda eleição.
BUMERANGUE 1 O governo Requião é vítima das suas próprias criações: o MST se queixa de ter havido violência na desocupação da fazenda Sonda e ganha como sempre o apoio da velha pastoral de guerra. Num despejo recente o governo mandou punir os chefes militares encarregados da operação por supostos excessos. Não bastasse isso o governo propôs à Faep, Federação da Agricultura do Paraná, que os donos de fazendas invadidas (a maioria com ordens judiciais favoráveis) cedessem a área por três anos como um comodato. Os absurdos não param aí, como vimos nas precipitações com o plano modelar da Araupel, em que a União pagaria por terras que já lhe pertencem. Uma pauta inesgotável.
No primeiro governo Requião houve uma tragédia em Campo Bonito com a morte de três PMs e do líder sem-terra Teixeirinha, tudo por manter, desde aquele tempo, a postura de leniência em relação às invasões.
BUMERANGUE 2 Dentre as ''cruzadas'' atuais tivemos a dos transgênicos. Agora se apurou, com o bloqueio chinês, que a vulnerabilidade da soja é outra. O governo estadual argumentou, junto a órgãos do Ministério da Agricultura, que é preciso exigir o corante nos fungicidas para que sejam identificados. Nós é que coramos com tanta desfaçatez.
BUMERANGUE 3 O arquivamento do processo do ''Caixa 2'' é um Exocet na chamada oposição municipal que faria de tudo para explorar o vitimalismo, idéia fixa bem brasileira em matéria política e psicossocial. Vanhoni iria aparecer como o mártir da boa causa. Agora vai precisar de mais luz em termos de idéias e que não seja, outra vez, aquela do Procel.





