LUIZ GERALDO MAZZA
Bombeiro e incendiário
O governo estadual privilegia os incendiários, mas às vezes não pode deixar de depender dos bombeiros. É que tantos são os factóides e demandas emocionais que para agradar o comando todos se empenham na condição de combatentes das ''boas'' causas. Assim é com o pedágio, na qual o governo colheu mais uma derrota com o reajuste das três praças da Econorte, na qual os funcionários se esmeram em anunciar medidas judiciais, rápidas e quase fulminantes, que farão reverter o processo. É indispensável manter esse elan e que dará a aura de ''justiceiro'' a Requião e de hostilidade ao Judiciário naquilo que contrariar suas aspirações.
Aos poucos esse cronograma vai perdendo elasticidade e já na próxima semana, se o Órgão Especial do STJ restabelecer as tarifas aumentadas (que deveriam vigorar desde dezembro de 2003) que foram anuladas por um ato pessoal do vice-presidente daquele órgão, hoje ocupando a sua presidência, pelo menos no caso específico dessa batalha não haverá mais recurso. Uma das preliminares a ser colocada é a que aquele ato desconsiderou que não houve esgotamento da instância anterior, no caso o Tribunal Regional de Porto Alegre, ao qual deveria ter sido encaminhado o pleito do governo.
Já se percebeu também, como se deu com a cruzada contra os bingos, que há uma espécie de mobilização em causas que lembram um auto-de-fé, tal a componente de fundamentalismo que os inspira. É assim no bingo, no pedágio, na luta contra os transgênicos, na obstinação em romper contratos.
Ocorre que as partes prejudicadas, em todos os casos, estão recorrendo ao Judiciário como se dará especificamente com o aumento de capital da Sanepar e que ferirá, segundo o grupo de acionistas privados, direitos inquestionáveis. Obviamente que aí também prevaleceu o aguerrimento da forma como o governador colocou a questão, algo indispensável, numa perspectiva religiosa, para a defesa de um velho sonho do governador e absolutamente nostálgico e que já acabou o Estado provedor. Embora muitos setores, dentre eles a CNBB, insistam no caráter público que deva ter a questão da água e do saneamento, essa matéria não é pacífica entre os mais realistas e pragmáticos.
Até aqui os incendiários se impuseram. Dentro em pouco serão necessários os bombeiros. E aí teremos a água de uma Sanepar não privatizada.
MUDANÇA - O quadro eleitoral de Curitiba e Londrina muda, via PSDB. Aliança com Luciano Ducci, do PSB, como vice de Beto Richa, desequilibra. Na terça, em Curitiba, José Serra, líder nacional do PSDB, anuncia a postulação de Hauly em Londrina, o que também aquece a disputa, a despeito da liderança de Belinati nas pesquisas. Pelo jeito a saída para todos é a ''cassação'' do ex-prefeito, alternativa dura e difícil, porém não impossível.
ALERTA - Da mesma forma que é inconstitucional e antiético o uso imoderado pelo governador da TV Educativa, a mesma restrição se estebelecerá para o chefe do Poder Legislativo, Hermas Brandão, caso a utilize para fins de proselitismo. O ex-presidente Aníbal Khury jamais precisou desse tipo de instrumental para afirmar sua liderança que permeava os três poderes. Tanto que Jaime Canet Júnior o chamava de ''O Poder''.
AMADORES - Dias passados Lula dividiu seu corpo de auxiliares em ''amadores'' e ''profissionais'', afirmando que esses são mais necessários. O livro ''O Brasil não é para amadores'' de Belmiro Valverde, agora em segunda edição atualizada, pela Travessa dos Editores, deve ter seu lançamento em breve. É um ensaio sobre Estado, governo e burocracia na terra do jeitinho.





