LUIZ GERALDO MAZZA
Um quadro multifacetado
O governador cultua, como poucos, o poder unipessoal. Aliás nesse aspecto é muito parecido com seu hoje ex-adverso Alvaro Dias e neo-aliado Rafael Greca. Vinha dissimulando como podia a sua adesão à aliança PT-PMDB, mas anteontem, na saída da escolinha, defendeu como única saída a adesão. Imediatamente esse posicionamento levou o outro lado a achar que a força não estava com aliancistas e sim com os defensores da candidatura própria.
Como o mundo da política se funda em estados de espírito, tal qual o da economia nacional como se vê nessa ofensiva em coral do governo e dos meios de comunicação, especialmente e como sempre a Rede Globo, anunciando recuperação, não visível no sol como o tráfego de Vênus, e com uma convicção científico-religiosa, há blefe para todos os gostos. Guga Fruet diz ter números para a convenção suficientes para a vitória e Greca, mais cauteloso, para não melindrar Requião, mantém o clima, até porque montou claque maior.
O fato é que havia extremo temor, mais no PT do que no PMDB, e a intervenção de Requião matou dois coelhos de uma só cajadada: reduziu ao mínimo a postura da bancada petista pró derrubada do veto ao aumento dos professores e atendeu, mais uma vez, um apelo familiar, o do irmão Maurício, autor das duas jogadas, a do plano do magistério e a da aliança partidária.
Requião, no último pleito curitibano, impôs a candidatura do irmão Maurício, bom devoto e ruim de voto, quando todas as condições favoreciam Gustavo como um nome novo e com currículo bom. Numa outra convenção, em que o candidato era Fruet pai, Requião pretendeu que o vice fosse Stênio Jacob contra o desejo das bases que indicavam o José Maria Correa. Foi derrotado esmagadoramente.
Assim, pois, nem Requião é imbatível como se imagina e muito menos a oposição ao Diretório Municipal está com essa bola toda. Isso sem falar que a despeito de todo o equilíbrio há ainda as rabulices que podem funcionar e levar o caso também para o tapetão como impugnação de zonais, por exemplo.
BIZARRICE A nossa tolerância com os políticos é máxima por não termos como contorná-la, mesmo quando, tal qual aqui acontece, há criatividade zero.
AXIOMA Segurança no Brasil não é municipal, mas federal e estadual. Isso não impede que todos os candidatos a prefeito toquem no assunto e, o pior, com a pretensão de solucioná-lo. Há analfabetismo e desonestidade. Em alguns mais e em outros menos nos dois campos.
GLOSA O Paraná inova pelo menos numa coisa: a sua TV Educativa é a que mostra mais reprises e do mesmo personagem. Quem não pode, pelo menos até aqui, derrubar os seus adversários trata de derrubar a programação.
EPIGRAMA O pior drama do ''mocinho'', o ator principal dos filmes, é quando ele enfeia. E disso não escapam os políticos, especialmente os mais vaidosos.
FOLCLORE Ontem o Pato Donald fez 70 anos. Psicólogos mostraram na CBN que a razão do sucesso do personagem está na ''identificação'' humana dos que se fecham em suas ''razões'' e trombam com o mundo. À medida em que os terapeutas detalhavam a patologia do pato (dá-lhe, redundância) sua pisiquê era bastante próxima de alguns dos nossos políticos. O Pato Donald não toleraria esse tipo de analogia e muito menos o personagem que lhe serviu de paradigma, o que confirmaria a semelhança.
MEMÓRIA Em 1982 quando Saul Raiz enfrentou José Richa grifei uma expressão: a de que o candidato do PDS era um Ney Braga com a voz do Pato Donald ou, até quem sabe, do Rivelino.





