A rã e o boi

O triunfalismo que tomou conta do PT é de estarrecer. A soja teve queda livre nas bolsas internacionais em função das manobras chinesas e nem isso impedia a euforia. Não há sinais tão claros de recuperação da economia para festejar, mas o governo federal está mobilizado como nunca para a tal agenda positiva.
Paulo Bernardo, um dos representantes da ala mais cartesiana do partido, crê nessa reversão como acha também que o PT vai arrebentar no pleito municipal, tanto em municípios grandes como nos médios e pequenos. O presidente Genoino fez a recomendação em Ponta Grossa para que os candidatos petistas defendam os ''feitos'' do governo Lula, o que parece brincadeira, a não ser que tenham uma carta escondida no espetáculo do crescimento para antes de outubro.
Uma espécie de soberba começa, pois, a tomar conta do PT. Mas como o time tem a vocação do voluntarismo (tantas eram as suas promessas para mudar o Brasil, quando se achava na aguerridíssima oposição) essa idéia de que para mudar basta querer deve, novamente, até em função da proximidade eleitoral, dominar o cenário. E algo que parece arrancado daquela literatura do pensamento positivo de Norman Vincent Peale, abominado pelas esquerdas.
Quem é capaz de decantar os feitos do governo Lula, num momento em que até o referencial nuclear da agremiação, o seu apregoado patrimônio ético, é alvo de dúvidas que tendem a aumentar, é o problema. Essa parada não vai ser fácil. Lembra a fábula da rã que tentou esticar-se para ficar parecida com o boi e acabou estourando.

BIZARRICE Pelo jeito veremos todos os candidatos em Curitiba dando uma de bom moço, como Vanhoni e Beto Richa estão fazendo, o que tornará difícil com tanta bajulação sobre a cidade saber quem se diferencia de quem.

AXIOMA A escolinha do professor Stica na Assembléia revelou que num mês, só de café pequeno, gastou-se R$ 9 mil para atender a bancada aliada. A conta esticou demais e Nereu Moura a achou uma salmoura.

GLOSA Vários petistas, inclusive dirigentes nacionais, disseram nos últimos dias que Sameck é o candidato a governador em 2006. O PMDB do Paraná posa de afirmativo, mas faz da submissão a sua missão. Aliás uma sub-missão. É um jogo floral que o Rafael Greca faria com naturalidade se não estivesse empenhado em evitar atritos com o generoso chefão.

EPIGRAMA Contrastando com a juventude do Beto Richa é que se vê como o senador Alvaro Dias é veterano.

FOLCLORE Se não houver coligação entre PT e PMDB, os dois partidos correm o risco de ficar de fora até do segundo turno. Foi o que o governador afirmou na escolinha sem qualquer fundamento em pesquisa ou previsão razoável. ''Magister dixit, verum est'', dizia o brocardo latino, o mestre falou é verdade. Quem ousaria contestá-lo? Talvez o aliado, o PT, na votação do veto ao Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos dos professores. Não a maioria, mas ao menos alguns para mostrar uma coerência que não podem exibir diante de Lula.
CROMO E Vênus surfou pelo Sol: como se vê há pouco de novo sob o céu. Ponto de vista de filósofo, não de astrônomo.
AFORÍSTICO Já imaginaram a chatice piramidal que vai ser essa próxima campanha eleitoral pela amostragem dos programas até agora exibidos na tevê?

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