LUIZ GERALDO MAZZA
Candidatos dependentes
Deu-se alarde à disposição de Rubens Bueno, dirigente mais importante do PPS, o PCB com filtro, de abandonar uma direção na Itaipu para o sacrifício (essa palavra significa sagrado ofício) do pleito municipal. Acreditava-se que as maçãs limpas iriam para o mostruário da Capital e com possibilidades de um sucesso muito parecido com o da última eleição governamental.
A votação obtida por Rubens Bueno (imaginem se ele fosse parente da Maria Bueno, a santa da patuléia) em Curitiba foi satisfatória e a sua integração à campanha de Requião deve ter feito prosélitos para o vencedor. Isso ao mesmo tempo em que atingia Alvaro Dias, de quem foi assistente no passado. Essas compensações psicológicas ajudam a irrigar o cenário político.
Alvaro que garantiu a eleição de Requião a governador no primeiro mandato foi esquecido quando seu ex-companheiro o esnobou na disputa com Lerner e deu a resposta do acordo branco que lhe garantiu o Senado. Agora, Alvaro tenta ser a peça-chave da campanha de Beto Richa com todo o capital de ressentimento e pode até prejudicar pela circunstância elementar de que Requião é eleitor maior. E o senador se vinga de Lula que desequilibrou em favor de Requião.
A dependência é a marca dos principais candidatos e se Rubens Bueno entrasse na parada teria essa tonalidade a seu favor. Não pode desprezar o handicap.
BIZARRICE Ao saberem da disposição de Rafael Greca de disputar de qualquer jeito a convenção do PMDB sugeriram que ele ficaria ao léo. De bate pronto Greca respondeu: está aí quero o Léo (de Almeida Neves) na minha vice.
AXIOMA Do abre-fecha dos bingos chegamos ao dos hospitais. A Santa Casa de Paranaguá, a mais antiga do Paraná, fechou sob pressão do prefeito e do governador que vivem às turras, mas nesse caso houve convergência. Sincronia tão estranha quanto a da indústria das multas de trânsito em Curitiba.
GLOSA Como o mundo dá voltas: Alvaro Dias é o relator do caso do bingo na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o que o coloca outra vez em confronto com o governador Requião. Só que aí não tem segundo turno. A tese mais comum é a da manutenção do bingo de cartela e o fim dos eletrônicos.
EPIGRAMA Por que num assunto de valeta se fala tanto em Cachoeira?
VINHETA Só um zíper resolveria o problema do abre e fecha dos bingos. Os de igreja podem funcionar porque estão protegidos pela água benta.
FOLCLORE O semanário ''Hora H'', no seu último número, na capa, mostra um teatrinho de ventríloquos (sempre a arte de Simon Taylor) em que Taniguchi aciona o boneco Osmar Bertoldi com Lerner rindo e dona Marina eufórica. No título ''Respeitável Público Vai começar o espetáculo''. Só o Bertoldi se prestaria a esse papel ou ele se assentaria, pelo menos até aqui, a todos os candidatos que se habilitaram? Tentemos descobrir um só postulante autônomo e estaremos diante de uma gincana infinita para a reflexão.
CROMO Nem todos se tornam novos com as abluções. Sem pelos (ah como eles se agarram ao sabonete e nos desafiam a removê-los!) e sem suor, e em especial os nossos humores, não há amor. Pasteurizando-o, roubamos-lhe a essência.
AFORÍSTICO Foi preciso o Greca entrar de sola para que o Guga Fruet deixasse de lado a sua suavidade e passasse a bater no Taniguchi, no Eixo Metropolitano e na caixa preta dos transportes coletivos. Quem deu o tom foi o Rafael. Só que isso não sensibiliza Maurício Requião e muito menos Doático Santos no apoio à aliança com o PT.





