LUIZ GERALDO MAZZA
A hora dos gordos
Todo mundo tirou sarro em torno da gordura do Ronaldo e ele fez todos os gols do Brasil contra a Argentina. Agora, na área política, quem entrou para valer nas divididas do PMDB foi o deputado Rafael Greca, outro redondo disposto a ser o diferencial na convenção do seu partido e no próprio e monótono pleito que se anuncia. Recebeu novos estímulos diretos do governador Roberto Requião para viabilizar-se e isso lhe restaurou as energias e a alegria costumeira. E tanto que esteve em prolongado encontro com o governador, animado também com os resultados de uma pesquisa, registrada na Justiça Eleitoral, e que deve ser divulgada domingo em que sobe muito em credibilidade e desce em rejeição para a metade do patamar atual e a um terço daquele do Ibope.
Se mesmo na penumbra se mostrava eufórico imaginem agora com os incentivos recebidos do eleitor maior. E tanto que partiu para o ataque, ontem mesmo, contra o Eixo Metropolitano com argumentação forte de natureza técnica e mais ainda de sentido político, recuperando essa dimensão do partido que se mostrava passivo e acomodado com a tal aliança com o PT. Atacar Taniguchi é um fator mobilizante no interior do PMDB, já que nem o próprio Vanhoni o faz no seu empenho em parecer palatável e muito menos o Gustavo Fruet.
Ronaldo Fenômeno desmontou a crítica dos que se preocupavam com suas gorduras que não lhe travaram os movimentos no arranque à área platina, driblando vários com um excepcional domínio de bola e marcando todos os gols. Greca está aquecido. Corre, no entanto, o risco de imensa fritura. Como o cartão Visa e um hedonista greco-romano quer viver o momento intensamente, pois ainda que perca (e essa é uma possibilidade clara) dará brilho à convenção como fez naquela do PFL em que foi esnobado por alguém, também de outro partido. E que a ''justiça poética'', pelo menos no seu entender, teria derrotado.
BIZARRICE Na Áustria o governo empenhado em obter apoio dos verdes adotou várias medidas como a de dar três meses de férias às vacas. Por aqui, em nosso País, não são poucas as vacas que ocupam lugares de executivos.
AXIOMA O mínimo de R$ 260 deu nota de bom comportamento a Lula junto ao FMI. Como se dará também com a cobrança da previdência dos aposentados.
GLOSA Crise nas UTIs em todo o sistema público de saúde no Paraná. Santa Casa de Paranaguá fechou. Seria irônico que ela passasse a depender dos bingos, aqueles naturalmente inocentes das paróquias. Com milho e soja cobrindo as cartelas, desde que não transgênicos.
EPIGRAMA Índice de reprovação escolar no Paraná supera média nacional. Com a guerra ao pedágio e aos transgênicos isso vai melhorar. Já o aumento do PCCV dos professores, segundo otimistas, pode ajudar. Reprovação de alunos cresce 8,5% no Paraná. Mas a aprovação do governo nas pesquisas sobe. Ainda bem que as estatísticas educacionais são dos dois últimos anos de Lerner.
VINHETA O governo pediu a caducidade dos contratos de pedágio e perdeu mais uma na Justiça para as concessionárias. Por aí se vê que nem tudo caducou.
FOLCLORE A troca de motejos entre Requião e Alvaro Dias demonstra bem o baixo nível da política paranaense e as razões pelas quais não somos levados a sério em termos nacionais. O humor requentado de um e as imagens pobres do outro explicam por que das unidades importantes o Paraná foi a única em que os que disputaram o segundo turno tiveram, somados, menos de 45% dos votos. Maioria absoluta foi contra os dois e só isso deveria torná-los mais humildes.
AFORÍSTICO Se houver rigor no julgamento das secretarias estaduais, como quer o governador, mais da metade tira o time de campo.





