LUIZ GERALDO MAZZA
Aliança Requião-Taniguchi
Apesar de o governador ter exercido por método campanha retaliatória contra a prefeitura da Capital - ela começa com a ridícula alegoria das cercas do Centro Cívico, derrubadas como se fossem o Muro de Berlim ou a Queda da Bastilha na revolução das luzes, prossegue com a sabotagem à integração das linhas de ônibus metropolitanos e tem sequência com as provocações em cima do Aterro Sanitário - num ponto há convergência: Requião tolera e até apóia e ratifica a indústria das multas em que o Detran dá cobertura ao olho cínico dos pardais da Diretran.
Está aí um tema curioso para a campanha eleitoral levantado pelo jornalista Cândido Gomes Chagas na última edição da ''Paraná em Páginas''. Mal saiu a revista, que começou a chegar ontem nas bancas, dezenas de pessoas passaram a xerocar as páginas amarelas da publicação e a distribuí-las pela cidade. Não é confortável para a candidatura de Vanhoni e muito menos para a de Bertoldi, mas pode beneficiar Beto Richa, caso venha a explorá-la como fez, aliás com extrema habilidade, na resistência ao reajuste da tarifa de ônibus. Outro que tem a primazia da contestação é o vereador Ney Leprevost.
A documentação do Candinho é inquestionável: publica textos de imprensa e até oficiais da Comunicação Social do Palácio Iguaçu (abril de 2003) em que Requião, no velho estilo de sempre, promete, com a fúria bíblica que o caracteriza, botar o convênio Detran-Diretran no Index, como fez com tantos outros como no caso do pedágio, contratos da Copel, transgênicos etc.
O PMDB moveu guerra contra a indústria das multas na Boca Maldita e alguns dos seus correligionários, como o atual diretor da Biblioteca Pública, o professor Cláudio Fajardo, chegaram a ser presos. O mote ''Cassioníquel'' foi tão badalado como o outro do ''Xô, Pedágio''. Candinho tem toda a razão de estranhar essa convergência. Já é uma peça de campanha eleitoral que atinge justamente os dois pólos do PT-PMDB versus PFL, aí viajando no mesmo ônibus biarticulado. Aliás articuladíssimo, como sugere a revista. Aí tem.
BIZARRICE - No meio de tantos divórcios (cercas, integração dos ônibus, Aterro Sanitário, Eixo Metropolitano) o acerto nas multas de trânsito entre Requião e Taniguchi é um casamento indissolúvel até que a morte os separe ou está, depois da denúncia bem argumentada, sujeito a desquite, também amigável?
AXIOMA - A candidatura do PFL cuida dos interesses coletivos ou dos coletivos?
GLOSA - Fato e versão: Requião diz que não indicou José Carlos Mendes para a presidência do Conselho de Autoridade Portuária e que seu nome fora proposto pelo PDT e PT, mas na verdade enviou ofício em 6 de fevereiro de 2003 ao ministro dos Transportes, Anderson Adauto, sugerindo e indicando-o. Da mesma forma prometeu romper o convênio entre Detran e Diretran para por fim à ''indústria das multas de trânsito'' e não foi avante.
EPIGRAMA - Apesar dos alertamentos judiciais a TV Educativa segue deseducando.
FOLCLORE - Falam tanto em sociedade organizada e nós vimos aqui o governador decidindo a eleição na Fiep e influindo agora na da Federação do Comércio. No depoimento do ex-presidente do Conselho da Autoridade Portuária, José Carlos Mendes, na CPI, falou-se na existência de ''caixinha'' institucional no Porto de Paranaguá que beneficia a Associação Comercial e Industrial da cidade.
CROMO - Dois casais de ''João de Barro'' mortos junto a um poste certamente por descarga elétrica. Passarinhos deviam, antes de fazer suas casas, contratar uma ONG para apurar o RIMA, Relatório do Impacto ao Meio Ambiente?





