LUIZ GERALDO MAZZA
Desvio de rota
Nada como uma viagem para descomprimir. Depois do Canadá é a vez do Chile e depois virão outras e outras, como se dava com Lerner. O primeiro-irmão deitou falação sobre uma velha fantasia, a do tal terminal do Pontal do Paraná, obra sabidamente inviável economicamente e que não obteria licença ambiental por atingir áreas de manguezais e restingas.
Volta e meia determinados grupos entram com essa conversa de um porto na Ponta do Poço, um dos melhores calados, como se viu no uso das instalações para a montagem de plataformas da Petrobras. Ora o que se exigiria em termos de infra-estrutura é tão caro, só na parte relativa a uma ligação de porte entre a BR-277, que imporia custos elevadíssimos em obras-de-arte na transposição de todo o sistema hidrográfico, e o terminal que teria a sua incompatibilidade agravada pela crise nacional.
Por que se fala num novo porto quando se destrói por método o atual, tido até outro dia como o maior graneleiro da América Latina? É mais do que uma forma de descompressão e passa configurar um desvio de rota. Um desvio, valha o trocadilho, de rota e de derrota. Segunda-feira tem nova sessão da CPI que deve trazer novidades no momento em que o superintendente se descontrai. Aliás para as ligações voltadas ao Pacífico, nas quais temos que pensar depois da missão Lula na China, o Chile sempre é uma referência, seja com Iquique ou Antofagasta, este o alvo da campanha do Martinez e mais tarde empalmada também por Jaime Lerner no andamento da sua primeira gestão estadual.
Até hoje, só para falar em ferrovias, não demos sentido minimamente econômico ao caríssimo trecho Guarapuava-Cascavel. Uma composição que saia do extremo oeste em direção a Guarapuava pode ter alto rendimento econômico, mas que se esvai quando da continuidade da viagem rumo ao porto. Precisa ser submetida a uma subdivisão do comboio em três, quatro ou até mais partes devido às más condições de traçado e à precariedade da via permanente. Prova de falta de planejamento e de visão abrangente das coisas. O culto ao desperdício.
BIZARRICE - E havia gente do Lula que, em meio à emoção, prometia dar sangue pelo governo. Mas como tudo na vida havia o lado que buscava comercializá-lo.
AXIOMA - Se a cozinha da Copel custou os tubos, imaginem a copa. Pode ser mais cara do que a conquista de uma daquelas da Jules Rimet.
GLOSA - O Eduardo Requião promete um porto novo no Pontal com 17 berços. Dá pra fazer ninar uma família inteira, garantido o leitinho para todos.
EPIGRAMA - Em certos governos se repete a frase da anedota: ou dá ou D-A-S ou Dê A Esse. Ou dá a vida ou perde a função gratificada.
GINCANA - O secretário mais sectário do governo é apelidado de Darlene, aquela compulsiva para aparecer na novela ''Celebridade''. Deve ser inveja porque o apelido é dado pelos próprios colegas, alguns deles chegados em aparecer.
FOLCLORE - Sete anos Jacó serviu a Labão para levar a Raquel. Sete anos o governo do Paraná (o de Lerner) levou sem cumprir decisão judicial que mandava desocupar a Fazenda Sete Mil. E sete anos o Tribunal de Contas demorou para aprovar contas do Rafael Greca na prefeitura de Curitiba, o que aconteceu ontem. Agora só falta o Rafael Greca vencer a eleição e ficar sete anos no posto. O sorriso que ele dava ontem sugeria que tudo isso iria acontecer. Como já dizia a Bíblia: não se deve perdoar o pecador sete vezes, mas sim setenta vezes sete, uma alegoria da infinitude do perdão.





