LUIZ GERALDO MAZZA
Pessuti assumiu
Depois de hesitar em assumir o governo em substituição ao titular Requião, o vice e que acumula a pasta da Agricultura, Orlando Pessuti, decidiu fazê-lo com o que torna a sua irmã inelegível. Por que essa mudança de ritual se a interinidade do desembargador Oto Sponholz, presidente do Tribunal de Justiça, foi tão tranquila quanto aquelas de Emília no Governo Lerner?
Se Pessuti sacrificou a demanda política da irmã é de pensar-se que algum assunto de extrema gravidade o teria levado a mudar de postura. O raciocínio esbarra, no entanto, no fato de que inexistia um fato novo que pudesse fazer do retorno de Sponholz qualquer tipo de risco político-administrativo.
Há muito tempo ''dorme'' na gaveta da Assembléia Legislativa um pedido de afastamento do governador Roberto Requião do cargo por haver, durante algum tempo, acumulado a Secretaria de Segurança quando isso, na Constituição de 1988, é fundamento para perda de mandato, embora haja uma espécie de vazio na forma de processar o assunto. Como Orlando Pessuti tem se mantido, e isso por várias vezes, na condição cumulativa de governador, ainda que interino, e de titular da Agricultura, também infringe a regra constitucional. É sabido que por uma questão de estilo jamais o presidente do Legislativo, Hermas Brandão, transformaria a sua gaveta de estimação em bolsa de Pandora que, aberta, pode, como ensina a mitologia, liberar os malefícios do mundo.
Uma sociedade verdadeiramente democrática é vacinada contra mistérios e de repente pode tudo isso redundar de pura especulação e até em decorrência da calmaria que se segue a cada deslocamento de Requião a outro país.
BIZARRICE - O cidadão batia compulsivamente com um martelo na cabeça. O médico psiquiatra foi observá-lo e perguntou por que o fazia. A resposta veio num raio: ''É que quando eu paro tenho uma sensação de bem-estar infinita''. A metáfora, que não é do Lula, se aplica muito ao nosso cotidiano.
AXIOMA - Se em todos os ministérios brasileiros houver operações como essa que detectou a roubalheira na Saúde chegaríamos à conclusão absurda de que temos mais habilitação para fiscalizar do que para fazer direitinho as coisas. O que é algo merecedor de figurar na arte do absurdo de Ionesco, Kafka e Beckett.
GLOSA - Imprensa política sem assuntos. Requião viajou. Assim mesmo tem essa pouca vergonha do aumento dos secretários. A Lei de Responsabilidade Fiscal é dura para os professores e mole para os sectários.
EPIGRAMA - E na Lei de Responsabilidade Fiscal não vai nada? É o que pergunta, aturdido, o professor que anda atrás dos atrasados.
FOLCLORE - Seria interessantíssimo que o governador Requião nas reuniões da ''escolinha'' fizesse com os conferencistas o mesmo que costuma aprontar para os seus secretários, tirando sarro e puxando-lhes as orelhas. Seria didático, já que os convidados, à primeira indelicadeza, mandariam Sua Excelência para aquele lugar. Assim os secretários aprenderiam que deveriam fazer exatamente isso a cada deselegância se afinal houvesse personalidade, caráter. O fato é que não existe remédio para a vassalagem extrema.
CROMO - E ser vassalo e escravo no amor não é desvio de caráter. Afinal, como ensina o Pequeno Príncipe, menos pomposo que aquele adulto de Maquiavel, somos, sim, escravos de quem nos cativa. Ficamos num cativeiro desejado.
AFORÍSTICO - O PTB anuncia a terceira via para a eleição municipal e o governo estadual a quarta para o pedágio, já que as três primeiras foram pro saco.





