LUIZ GERALDO MAZZA
O varejo da política
Em menos de 24 horas o QI paranaense melhorou consideravelmente: a palestra de Fernando Henrique Cardoso sobre ética e política com rigor acadêmico e o enfoque de Mangabeira Unger, mestre de Harvard, no encontro do secretariado de Requião se constituem no anverso do que normalmente acontece por aqui. É que o massacre das empulhações diárias do nosso exercício político-partidário só pode rejeitar, por método, a inteligência e a lucidez.
O populismo de baixíssima extração, sugerido como salvacionismo para as questões sociais haja garrafinha de leite, luz e água de graça ou ainda essa monumental estupidez chamada ''Fome Zero'' vai além do ato de anestesiar as massas para ''despolitizar'' a política, roubando-lhe o conteúdo racional para dissipar tudo em emoção barata e melodramatismo de opereta. O pior é quando a inteligência se deixa capturar por esses simulacros da engenharia capenga que anuncia o fim das diferenças sociais, o realejo do fim da pobreza que se depender desses atores jamais desaparecerá, até porque isso lhes retiraria o papel nesse teatro bufo.
A traição de intelectuais que seguem o atalho das simplificações para vender esperanças é uma constante na história da humanidade. É difícil que tenha existido um demagogo que não tenha se achado dotado de função missionária. E como no Brasil no supermercado da política uma das coisas mais em oferta é a do homem ''providencial'' não temos como escapar dessa provação que só à custa de muito sofrimento, experimentação e frustração iremos identificar e bem lá na frente, se Deus for brasileiro, superar.
BIZARRICE O Mangabeira Unger tem sotaque muito parecido com o do Júlio Mazzei, preparador físico do Santos que foi para os ''esteites'' e nunca mais se acertou com o português. Campeão absoluto nessa área é o Karlos Rischbieter que mesmo ficando entre Blumenau e Curitiba, sempre falou como europeu.
AXIOMA Requião prometeu que vai mandar a fala de Mangabeira (que saudades dos familiares talentosos como o velho João, socialista, e Otávio, liberal!) para o Lula. Poderia aproveitar e enviar também as suas aparições na TV Educativa. Se Lula o imitasse lá em Brasília seria tranquilamente cassado. Mais fácil do que derrubar Medida Provisória, como se viu no caso do bingo.
GLOSA Que tal reaquecer a idéia de CPI das ONGs depois do caso da Ágora? Não é sem tempo. Elas deitam e rolam na questão ambiental, crianças de rua, índios, financiam o MST, tentam substituir o governo e a cidadania a um só tempo e tudo fica por isso mesmo.
EPIGRAMA Ianques decidiram demolir a prisão das torturas no Iraque. Seguem o método Lula: o presidente desejava regular o bingo até que pegaram a conversa entre o Waldomiro e o Cachoeira e então decidiram acabar o jogo. Dois casos que lembram a história do marido traído e que trocou o sofá de lugar.
FOLCLORE Trazer pessoas para a escolinha das terças-feiras da equipe do governo estadual como o sociólogo Francisco de Oliveira e agora o professor Mangabeira Unger é como repor ''o homem que falava javanês'' de Lima Barreto. Na próxima o governador poderia convocar Marilena Chauí, filósofa, para falar sobre Spinoza. Se viessem a saber que o prenome é Baruch iriam certamente pensar que se tratava do nosso expert em turismo, o Mauro Baruque.
CROMO Se quando não te vejo te refaço mentalmente corro o risco de ficar assim, pênsil, entre duas fantasias, a da presença e da ausência.
AFORÍSTICO Por incrível que pareça o chocante de nossa situação política é que os mais declarados inimigos de Requião conseguem ser piores do que ele.





