Metamorfose sem graça

Há uma área no Paraná em que todas as soluções virtuais, via marketing, nada têm de virtuosas. É a da Segurança. Agora aparece na campanha do PFL o Osmar Bertoldi como se fosse o médico e o Rudolph Giuliani, aquele prefeito de Nova York que inventou a tolerância zero, como o monstro, aqui no bom sentido. A imagem do prefeito nova-iorquino, conhecida por uma minoria, sai da capa da revista para deitar falação sobre como resolveu a questão da segurança e de repente entra em seu lugar como Billy Batson substituía o Capitão Marvel ou a crisálida se fazendo borboleta, o candidato pefelista que nas pesquisas aparece com traços como num exame de análises clínicas.

Engana-se, porém, quem julga tratar-se do primeiro caso de virtualismo nessa área. Ainda recentemente o Lerner veio com aquela idiotice do totem, cheio de significados antropológicos, especialmente na senda do homem primitivo, e que deu em nada e seguido por Requião que se acreditando um patriarca bíblico do Velho Testamento, capaz de educar pela intimidação, acumulou o cargo de xerife e que não deteve a banda podre e muito menos a onda de violência.

Essa é a realidade: problema maior, pelo menos na angústia popular, superior até a questão do desemprego, só se presta para saques inúteis diante da soma da impotência institucional com a incompetência.

Num país em que a lei é cumprida e as instituições funcionam é possível um projeto como o da ''tolerância zero'', mas aqui tudo se dá ao contrário. O sentido da ''tolerância zero'' é reprimir até a pequena delinquência, o crime e a contravenção de porte menor. Aqui nós não conseguimos sequer fazer algo de substancial contra a criminalidade comum, imagine-se se fôssemos cuidar daquilo que é tido por nossos padrões de tolerância como pecado venial.

Quando teremos a intolerância máxima com essa mistificação, via mundo virtual e policrômico, que consagra a prestidigitação como virtude?

BIZARRICE - Como Marta Suplicy foi atingida primeiro por uma galinha e ontem por ovo em Guaianazes está resolvido o maior problema da metafísica: a galinha nasceu antes que o ovo. A conclusão é de Eduardo Schneider, no ''Hora H''.

AXIOMA - No caso da suspensão dos cursos nas universidades estaduais o governo agiu no estilo aconselhado por Maquiavel: o mal se faz de uma só vez e o bem aos poucos, em doses homeopáticas. Ney Braga, em 1961, demitiu uns 15 mil funcionários, logo após tomar posse e depois readmitiu uns 5 mil. A felicidade provocada na minoria pareceu ter sido maior do que a desgraça para a maioria.

GLOSA - O jogo de espelhos é inseparável do exercício político: dissimulação é a autenticidade em movimento.

EPIGRAMA - Mau gosto, embora redundante, é dizer que essa convenção de Foz do Iguaçu não passa de pura cascata diante das Cataratas. Igual aquela da CIA ou do FBI que mostrou um aparelho terrorista com uma foto sugerindo que fosse a das Cataratas quando lembrava a da Cascatinha de Santa Felicidade.

FOLCLORE - Só falta agora, dada a semelhança de conteúdo, se é que isso existe na política, os marqueteiros transferirem para a campanha eleitoral a disputa das cervejas: aí teremos o candidato que sobe redondo (afinal descer é queda), o da plataforma boa e o da nova, aquele ainda que refresca até pensamento. Como oposição e governo lembram disputa entre Alka-Seltzer e Sonrissal e a terceira posição se enquadra no Sal de Andrews é o que há a fazer. Em política se pode dizer, para manter a comparação, que todos são ''genéricos''.

AFORÍSTICO - No Paraná há mais um sectariado (de sectários) do que secretariado.

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