LUIZ GERALDO MAZZA
Requião tem razão
Que me desculpem os professores e a oposição e todos os basistas da praça: no caso do veto ao Plano de Classificação de Cargos e Salários, o homem faz jus ao ''teaser'' extraído de ''A Revolução dos Bichos'', de George Orwel. Naquele se dizia ''Napoleão tem razão'' para caricaturar Stalin e nessa questão ele está certo e com a lógica. A prerrogativa de aumento de despesas é exclusiva do Executivo e com a respectiva competência originária. Se o veto caísse, a interpretação de que toda a lei orgânica estaria prejudicada não é um exagero.
Obviamente, até pelas liberalidades da moda e também pelo quadro generalizado de insegurança jurídica, a matéria não é pacífica. Milita em favor do governo a presunção de uma ''previsão'' que ele detém, em maior escala, do que qualquer outra área de poder. Aliás, o alertamento foi feito, até de certa forma dramática pelo governador, de que se fosse aprovado o pagamento retroativo o Executivo incorreria em delito contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Agiu bem o presidente da Assembléia, Hermas Brandão, em aceitar a linha de argumentação do governador por seus efeitos tremendos na hipótese de Requião considerar todo o projeto prejudicado e contaminado por uma forma de inconstitucionalidade irremovível. Teríamos uma guerra estúpida com os mestres não sabendo avaliar que corriam o risco de perder o principal por se ligarem demais ao acessório.
Ao ganhar tempo nas protelações no Legislativo e na Comissão de Constituição e procurando fazer valer, para este mês, o aumento em média de 30%, o que é uma fortuna nos cenários depressivos de hoje, o governo tenta fazer a sua parte. Isso não o impedirá de agir em sentido contrário com a queda do veto.
BIZARRICE Jogar peteca diante de políticos com o perfil de Requião e Rafael Greca há o risco de a resposta ser no tacape, ainda mais depois das enunciadas afinidades do governador com a cultura indígena e a proto-história.
AXIOMA O governador quer, diante do Leite da CPI do Porto, vê-lo talhar e, se possível, transformado em coalhada. Por isso a ''chacoalhada'' de que ele, o deputado, era da firma que cuidava da limpeza do terminal.
GLOSA Quem sabe do destino das multas por crime ambiental praticado pelo MST? Ou o Tribunal de Contas, ou a Secretaria do Meio Ambiente? Nos governos há essa tendência de o opaco e o translúcido superarem a transparência.
EPIGRAMA No fim do mês outra viagem de Requião, agora ao Chile. Só falta o Pinochet desejar cumprimentá-lo por alguma afinidade. Exagero pedagógico, pois o generalíssimo era ditador e Requião se move numa suposta democracia.
VINHETA Diante da ONU o ''Greenpeace'' vai protestar contra a autorização aos produtos transgênicos pela FAO. Deve levar Requião e o Bovê para o ato.
FOLCLORE A escolinha de ontem superou em tudo a do Chico Anísio. O relato do Mussi sobre a viagem ao Canadá foi uma sequência de imprecisões: não sabia quem era o personagem de cada transparência projetada e criticou, provocando o sogro, a imprensa que não teria aproveitado as matérias enviadas. No Canadá registros da viagem na internet foram poucos e em jornais desapareceram. Paulo Pimentel reagiu e Requião evitou que os dois debatessem, pois, microfone à mão, já se preparava para a tréplica. Requião cortou o embalo do secretário de Comunicação, Airton Pisseti, que pretendeu comparar o orçamento da sua pasta com o do ministério daquele país e foi amavelmente censurado. Merecia, pela analogia com um país de Primeiro Mundo, muito mais.
DE LEVE Sabem quanto custou só num contrato com o Instituto Curitiba de Arte e Cultura o ''Curitiba Pop Festival''? Nada menos de R$ 350 mil. Humm.





