Ações regressivas

Recentemente o Tribunal de Justiça condenou o governo estadual a indenizar um proprietário de Pinhais que teve a sua área invadida em 1991, primeira gestão de Requião. O governador tentou, no bom intento da paz social, nomear um grupo mediador para tratar do assunto. Como nada foi feito no sentido do despejo ao proprietário não coube outra saída que não a de acionar o poder público. Se houvesse o hábito de a sociedade, de esponte própria ou via Ministério Público, entrar com ações regressivas contra autoridades que resistissem, de qualquer forma, a decisões judiciais, a cultura nesse campo mudaria.
Ontem, em Curitiba, a prefeitura se viu obrigada a usar a Guarda Municipal para remover invasores de uma área em São Braz porque o governo estadual se recusou a colocar a PM a serviço da decisão judicial. Não é a primeira vez que isso ocorre. Na primeira gestão houve a invasão da Ferrovila, onde o Banco Bamerindus desenvolvia condomínios de classe média e a omissão da PM é que tornou possível a selvageria. No caso recente a prefeitura promete agir contra o Estado, o que não fez na anterior, aberta que ficou às negociações. Meses atrás uma ordem de imissão de posse em fazenda deixou de ser cumprida porque um assessor palaciano teria engavetado a intimação por vários meses.
A leniência e passividade do governo encorajam essas manobras e como não há qualquer gravame para a autoridade, já que todos os contribuintes acabam pagando a conta, firma-se o hábito de driblar a justiça e fazer média política com o assunto, apesar de mais uma pesquisa nacional, CNT-Sensus, mostrar que 73% do povo condena a violência e a demagogia das invasões.
No primeiro governo Requião tivemos intervenção federal por causa da invasão da Fazenda Can Can decretada pelo STJ. Na verdade o fato se dera em governos anteriores que também se valiam de manobras protelatórias. Temos centenas de situações semelhantes no Paraná, com decisão transitada em julgado, que obrigam o poder público a indenizar os prejudicados. Só essa da Fazenda Can Can importa em mais de R$ 80 milhões.
A ação de regresso seria altamente benéfica e pedagógica à democracia.
BIZARRICE No Porto de Paranaguá há mais do que ''zona''. Há zoonose. Está mais perto do escatológico do que do lógico. O pombo morto não era o da paz.
AXIOMA ''Nunca foi tão fácil escolher tão mal.'' Esse slogan foi usado em 1960 para criticar o ''nunca foi tão fácil escolher tão bem'' e que era feito em favor de Ney Braga que disputava o governo com Nelson Maculan e Plínio Costa, todos de alta qualificação. Para esse pleito de Curitiba a observação valeria. Deserto de idéias, um desastre. Pior do que a primeira eleição de Curitiba autônoma nos anos 50 com uma dezena de postulantes em que Ney Braga venceu Wallace Thadeo de Mello e Silva, ambos distanciados dos demais.
GLOSA Celepar fecha contrato de US$ 2 milhões com a Oracle para atendimento de softwhare. A empresa é uma das maiores do mundo, de fato oracular como o nome e talvez por isso (a notória competência) se dispense a licitação.
FOLCLORE No exercício do sofisma e dos jogos florais poucos têm a competência de Rafael Greca. Desqualificou a pesquisa do Ibope-CBN, que o derrubou, alegando estreiteza do universo pesquisado e num ensaio aritmético, levando em conta que 63% estão indecisos, disse que apenas 95 eleitores dos 504 estariam com Vanhoni. Se fosse candidato, em termos verbais, passaria como um trator sobre os adversários. Seria, no mínimo, divertido.

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