Pesquisa anima?

Bem, hoje teremos a primeira pesquisa relevante para prefeito da Capital, da Rádio CBN e Ibope. Ocorre que só a pesquisa, pela excitação lúdica dos números desse bingo cívico, pode animar o respeitável público até aqui com uma postura catatônica diante do processo eleitoral, visível no fato de que de 65% a 70% dos votantes não têm a menor idéia em quem votarão ou sequer se o farão, tal a apatia até aqui revelada.
A decepção, especialmente com o governo federal pela torrente de esperanças que gerou, explica a inércia que caminha para o embotamento na medida em que a frustração aumenta. E a cada dia, anote-se, se acrescenta um fato novo como essa lamentável expulsão do correspondente do New York Times, a demora em decidir questões como a do salário mínimo, ou a providência de proibir os bingos e essa torrente de greves e invasões de sem-terra e sem-teto que apenas revela a falta de autoridade descompensada pelo excesso de liberdade que, a essa altura, ruma para o liberticídio.
VITIMALISMO No segundo maior eleitorado do Paraná, o de Londrina, o Belinati parece, mais uma vez, comprovar a compulsão do brasileiro pelo vitimalismo. Só falta agora ele usar as imagens tumultuárias da sua prisão para maior proselitismo. Com 33.5% está distanciado de Elza (14.8%), Barbosa Neto (13%), Micheleti (9.2%) e com a maior rejeição de 38.5%. Alex Canziani (5.7%), Tercílio Turini (2.7%) e o padre Manoel Joaquim fechando a raia com 2.1%.
O vitimalismo, que poderia beneficiar Maluf em São Paulo, se ele sair-se da enrascada em que se meteu, favorecerá Belinati de forma indiscutível e por sua relação de raiz com as massas e o populismo apoteótico que adota como estilo. Em Curitiba o ''feeling'' dos observadores indica que tudo tende a polarizar-se, ao menos nas primeiras sondagens, entre Ângelo Vanhoni e Beto Richa. Mas Mauro Moraes certamente se beneficiará da sua cruzada com a falta de segurança pública, visível no fato de que de janeiro a 10 de maio passaram pelo IML da Capital 269 mortos, dos quais 220 vítimas por armas de fogo, objeto (inócuo, tal qual se vê) de campanha institucional dos governos estadual e federal.
GOL PERDIDO Quem não soube explorar esse traço comportamental brasileiro, do vitimalismo, foi Lula com a história do repórter ianque que o acusou de abusar da bebida. O assunto já caminhava para a entropia com a série de gestos de solidariedade do oficialismo e oposição e a carta firme do embaixador brasileiro nos ''esteites'' ao jornal, quando Lula decide o pior no enquadramento pouco diplomático, e não ajustável a uma ordem democrática, praticamente consolidada, do correspondente, cassando-lhe o visto temporário de permanência no Brasil, algo apropriado aos regimes fechados e que não teve esse registro nem mesmo nos chamados anos de chumbo por aqui.
Vale dizer que não tirou partido daquilo que melhor se assenta nessas situações, a do presidente injustiçado, para assumir a postura de um agressor do padrão Hugo Chavez, da Venezuela, de quem vinha até se afastando depois de acumular erros justamente naquela aproximação estimulada por assessores mal inspirados. Agora os efeitos virão em cascata e com grave prejuízo à imagem do Brasil, num momento em que ganhamos uma parada importante, no caso dos subsídios do algodão na Organização Mundial do Comércio, quando damos um baile tecnológico na Europa e nos Estados Unidos da América em nosso agronegócio e no instante em que o próprio Fundo Monetário Internacional, que monitora nossa economia com se fôssemos seu capataz, destaca aí também os nossos feitos.

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