Sinal do professor Raimundo

A ''escolinha'' do professor Raimundo é famosa no Paraná. E com a ausência do titular da cátedra em sua viagem ao Canadá não haverá aula, o que mudará e muito as nossas rotinas. Mesmo que houvesse o seu substituto legal, o desembargador Oto Sponholz, este um mestre verdadeiro na área do Direito, dificilmente se valeria da pedagogia a que estamos habituados nas terças-feiras, o que conflita com o seu estilo.
Mas é um dos códigos do professor Raimundo, aquele sinal de pequenininho com o polegar e o indicador, que fazia ao referir-se ao salário dos mestres, que está operando como uma espécie de bumerangue contra Lula e seus ministros na questão sensível do salário mínimo. É que na decretação do mínimo sob Fernando Henrique Cardoso a bancada do PT no Congresso Nacional, com extremo ar de deboche, fazia o sinal de forma irônica. Lá aparecem, com a gesticulação para desmoralizar, os hoje ministros Palocci, Zé Dirceu e Berzoini, ao lado do Aloísio Mercadante, ridicularizando o mínimo de FHC.
Nada como uma fotografia desse padrão para desbancar a histeria com que o PT está encarando o assunto, ao ponto de constranger seu partidário, o senador Paulo Paim, o mais visceral e histórico dos defensores de um mínimo com visão de dignidade, a deixar a comissão. Esse registro viajou pela Internet e pelos jornais e também revistas nacionais. Caberia até para uma técnica bem ao gosto dos hoje deslumbrados pelo poder divulgar em série posters da ocorrência e expô-los agora no debate da Medida Provisória que instituiu o mínimo.
MAIS VEXAME A questão da desapropriação da Araupel, altamente politizada, é mais um vexame do governo atual. Pessoas de responsabilidade da área técnica e jurídica mostraram à exaustão os absurdos do decantado projeto modelo de Reforma Agrária: o governo estaria vendendo uma área que já lhe pertence. Além disso boa parte da pretendida gleba é de floresta e objeto de preservação. Mais uma deformação: o custo de assentamento por família chegaria a R$ 80 mil.
Acrescente-se que essa comédia de erros pode envolver questões mais graves e por isso é que se considera até aqui, como se viu nas duas páginas da revista ''Época'', apenas a parte visível de um iceberg.
Aquilo que foi apontado como um novo modelo de Reforma Agrária, e que deu margem a anúncios laudatórios na televisão, inclusive aqui no Paraná, já que o governo estadual era parceiro, é mais uma frustração pesadíssima a manter sob suspeita a forma como se dá esse tipo de política no Brasil. Repitamos o que disse um dos maiores quadros da esquerda nacional, Ignácio Rangel, sobre o assunto lá no fim dos anos 1950: a reforma perdeu o bonde da história. E isso há bastante tempo. Nem como resposta social de emergência funciona, como a prática o está demonstrando.
BIZARRICE Ponta Grossa homenageou Requião pela instalação das UTIs com a marcha a cavalo desde a Capital Cívica. O governador é ligadérrimo nas artes equestres como o demonstra diariamente lá no Canguiri. Até o Jocelito Canto, deputado e candidato preferencial das pesquisas para prefeito, estava nessa.
AXIOMA A Secretaria de Segurança contestou os números da violência, mas nesse fim de semana tivemos na Grande Curitiba 15 mortes. Felizmente para o governo não houve nenhum assassinato em porta de bingo, área mais policiada. Houve um tiroteio (quatro pessoas atingidas) perto da Delegacia dos Homicídios.
FOLCLORE Parece piada mas é sério: um funcionário da Araupel teria feito um laudo de avaliação aceito pelo Incra para a desapropriação. Está na ''Época''.

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