A insegurança

Pretendendo corrigir comentários meus neste jornal e na CBN Curitiba, em que me referi a 36 mortes violentas no fim de duas semanas, ainda que não sequenciais, a Secretaria de Segurança informa que na semana recente houve apenas dois homicídios, seis em acidentes de trânsito, quatro em atropelamentos, quatro por agressão física e um por enforcamento e outro por bomba caseira. É a informação oficial, ainda que há muito tempo a pasta oculte da população essa estatística que antes se fazia como rotina.
Se tivemos dois homicídios e mais quatro por agressão física o número acaba triplicando, de acordo com os registros de entrada no Instituto Médico Legal, não importando se de origem dolosa ou culposa. A secretaria alega que a estatística não é padronizada porque a PM e a Polícia Civil se valem de metodologias diversas. Se tivemos aquele cabuloso episódio do serial killer no Rio Grande do Sul em que o Paraná falhou por não estar interligado ao sistema nacional de informática dá para entender a dificuldade em entrosar as polícias
em qualquer área operacional ou burocrática.
Conferir prioridade, como foi dito, ao delito do ''colarinho branco'' é concessão ao espetáculo e nada mais. Da mesma forma a relevância dada à questão dos bingos, embora válida a decisão de impedir-lhes o funcionamento, é exagerada e fundamentalista. O efetivo da PM, hoje, é menor do que o de duas décadas passadas quando tínhamos população menor, razão pela qual imobilizar unidades para a vigilância dos bingos é subverter prioridades.
Tudo o que foi feito com barulho não deu certo: a acumulação (que dá margem à perda de mandato, conforme a Constituição) do cargo de governador com o de secretário de Segurança, feita com o propósito de acabar com a banda podre, resultou em nada. Seria lastimável que se desse o mesmo com o caso do colarinho branco, cuja punição é exigência coletiva. Sem histeria.
Qualquer avaliação mostrará que a falta de segurança é o maior de todos os problemas do Paraná na perspectiva da população, refém da violência. Maior até mesmo do que o do desemprego.
BIZARRICE Citei aqui ontem o Clímaco da Silva, já falecido. Uma ocasião num entrevero parlamentar usou didaticamente um ditado popular nordestino para neutralizar aparteante: ''besouro também ronca// vai se ver não é ninguém''.
AXIOMA Se houver crime perto de bingo vai ser um vexame porque se trata da área mais patrulhada em todo Paraná.
GLOSA Dia das mães: o bingo das viúvas é um presente caro e impossível.
EPIGRAMA Uma autoridade portuária não saber o que é uma commoditie é bem o retrato da situação que o Paraná está vivendo.
VINHETA Segundo o José Simão a derrota da Medida Provisória no Senado mostrou que Lula não preencheu a cartela e perdeu no bingo. E mais: fechar bingo é ferir o Estatuto do Idoso, segundo ele.
SILOGISMO Se 20 por cento das vagas ficam para os negros e 20 para os que vierem de escola pública dentro em pouco não teremos mais vestibular, já que a pré-qualificação de novos casos em favor de outros excluídos nos saturará de ''igualdade'' matando a liberdade. Do pré-escolhido chegamos ao pré-encolhido.
O vestiba vai estar pré-encolhido, estreitando ainda mais o funil das oportunidades e colocando o mérito pessoal em segundo plano.
FOLCLORE Amanhã os jornais sentirão a falta de Requião a não ser que ele aja como quando esteve no Texas e derrubou o aumento da Copel. Do Canadá pode vir novidade. Portanto ao invés de calma uma certa dose de suspense.

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