Fuga como tática

Na revista ''Caderno de Idéias'' de abril, o editor Fábio Campanha mostra que a obstinada prioridade concedida ao pedágio-bingo-transgênicos, é uma forma clara de ''fuga'', de escapar da realidade (a crise séria que também engolfa o Paraná, a violência e a depressão na economia) para manter-se na crista da onda em projetos de um moralismo que só viceja em cenários da mais baixa politização e abertos aos irmãos siameses, populismo e fascismo.
Não temos um norte, apesar do empenho de alguns secretários como Eleonora Fruet em manter um diagrama mínimo de projeto, o que se observa também na área do secretário Renato Adur, buscando salvar uma área que abre perspectivas para a viabilização urbana nos municípios. De todos, como tenho dito, a figura maior é o secretário da Fazenda, Heron Arzua, não apenas pela gestão equilibrada em meio ao caos, mas por ter inspirado as medidas mais racionais como a da anistia tributária e as que melhoraram o nosso poder de competitividade, ambas com fortes efeitos multiplicadores.
Como o exemplo do chefe não é o da austeridade efetiva e da racionalidade, os que se empenham em estimular o conflito e a polêmica passam a segui-lo, como se viu, ainda ontem, com as declarações do secretário de Segurança repetindo uma acusação vazia contra o ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, de que seria um assalariado da Monsanto, por cuja afirmação Requião responde a um processo criminal. Aliás, Requião perdeu na Justiça estadual uma ação em que o juiz Sergio Arenhart o está executando no pagamento de R$ 1,575 milhão por dano moral. No ano passado Requião pagou pouco mais de R$ 11 mil por haver recebido indevidamente, quando prefeito de Curitiba, o 13º salário.
Agora com a derrubada da Medida Provisória do bingo vamos ter a continuidade da novela em território paranaense que atribuirá à polícia uma prioridade que não concede no combate a violência. O secretário Delazari insiste que a sua prioridade é o combate ao crime do colarinho branco. Em dois fins de semana tivemos 36 homicídios na Capital, o massacre dos sem-colarinho.
BIZARRICE O ministro Zé Dirceu posou de calção, regata e tênis. A imagem poderia ser usada, de forma pedagógica, depois da queda da Medida Provisória sobre o bingo: a de ter perdido até a roupa nesse assunto. Mas assim mesmo conservando a esportiva.
AXIOMA Nada mais parecido com um bingo do que o funcionamento da Justiça no Brasil: a liminar derruba, a liminar restabelece e assim por diante. Na base do sorteio, na teoria das probabilidades, seria igual.
GLOSA Às vezes um pouco de dureza é a forma de conter reivindicação: foi o que se viu na reação de tecnocratas de Requião dando um ''deixa pra lá'' numa encenação sindical nas universidades estaduais. Por sinal que a de ontem da Federal, em Curitiba, tinha pouca gente e a maioria era de estudantes. A soberba e a empáfia nem sempre traduzem força ou justeza da causa.
EPIGRAMA Só falta agora alguém da delegação paranaense ao Canadá acreditar que Quebec é uma homenagem ao zagueiro Domingos da Guia: ''Que beque!''
FOLCLORE A anedota de que os curitibanos no Inferno poupam trabalho ao diabo porque eles mesmos se empurram, uns aos outros, no tanque cheio de bosta ficou demonstrada nessa história da perda dos seis pontos do Coritiba na CBF: os coxas entregando o caso do goleiro Diego, do Atlético, o comprovaram.
CROMO Expressão de anjo, alma de bacante: a dialética do erotismo.
AFORÍSTICO Estava já faltando matéria-prima para as novelas do Requião: aí veio a derrubada da Medida Provisória dos bingos. Vai bem mais longe do que a novela das oito que também trata de celebridade.

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