LUIZ GERALDO MAZZA
O banho dos catarinas
Sempre houve uma delícia de guerra entre paranaenses e catarinenses que chamamos amavelmente de ''catarinas''. Uma vez, neste jornal, quando surgiu a hipótese de um astronauta ser oriundo do vizinho Estado chamei-o, e também de forma amável, de ''catarinauta'', mexendo igualmente com o então dono da ''Folha'', João Milanez, e seu sobrinho, Walmor Macarini, chefe de Redação, ambos de linhagem ''barriga verde''.
Há histórias saborosas dessa emulação. Diz-se, por exemplo, que em 1966, governo de Paulo Pimentel, o alertamento dos ''outdoors'' com a expressão ''Aqui se Trabalha'', decalcada do fascismo italiano, levava nossos amáveis irmãos retornarem aos seus pagos ante o ''teaser'' intimidativo.
De outro lado os catarinas tiraram muito sarro da terra quando saiu um classificado em jornal nacional ofertando vagas para engenheiros, desde que não fossem formados pela Universidade Federal do Paraná. Sacanagem, mas com um traço profético, já que mesmo levando a melhor em vários ramos da engenharia como a hidrologia e hidráulica levamos um baile na circunstância de nossos vizinhos terem, há vários anos, os maiores centros de excelência em engenharia mecânica e engenharia industrial do país. Na de pesca e aquicultura também nos passam a perna.
DA BOLA AO BOLO - No futebol até aqui emplacamos três no nacional e eles dois com o que mantemos equilíbrio com os gaúchos. Ganhamos no econômico (o Pib maior), mas perdemos duramente em IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, no social, em escolaridade, expectativa de vida, mortalidade infantil. Uma das gozações em cima dos paranaenses lá em Santa Catarina é a decorrente do tumulto no porto e que desloca as cargas para Itajaí e São Francisco. Tentariam até, conforme a blague, dar título de cidadania ao nosso governador.
Hoje, em Santa Catarina, o governador Luiz Henrique preside reunião do Conselho Estadual de Articulação do Comércio Exterior e que avaliará que peso de contribuição a iniciativa privada pode ter nos portos bem como a do governo estadual e federal, especialmente a relativa à dragagem. E vejam só quem está assessorando os catarinas na estruturação do complexo portuário do Litoral Norte: o engenheiro Eliezer Batista, consolidador da Vale do Rio Doce, uma autoridade internacional em logística. Como se vê eles cuidam com carinho de um assunto que por aqui anda mal, como já atestou a Antac.
BALANÇO RUIM - Temos um jogo de braço com nossos vizinhos na questão da Bacia de Santos e da exploração do petróleo. No momento estamos perdendo, apesar do esforço em especial do Gustavo Fruet para reverter o quadro, pois o governador está mais ocupado na guerra dos transgênicos, do pedágio e em abençoar o MST.
Quando Pimentel foi governador lançou o ''slogan'' de que o Paraná seria o segundo Estado do Brasil. Até hoje não conseguimos isso no Sul, em que pese o que diz a revista gaúcha ''Amanhã'' de que já estaríamos à frente, o que até agora não se confirmou e Lerner se atribuía como feito seu e certamente como Requião o fará se isso, de fato, acontecer. Em renda interna somos o quinto, ainda que emparelhado com o Rio Grande do Sul.
Não há um só ato do governo atual para que cheguemos ao quarto lugar. Paulo Pimentel quando fez essa proposta, em 1966, usava simplesmente uma ''idéia-força'' para levantar a auto-estima interna e remover a desconfiança, em alguns setores tradicionais, da sua origem paulista, o que é uma gloriosa bobagem porque Alvaro Dias é paulista como Osmar Dias, hoje o mais cotado à sucessão, e José Richa era do interior do Rio de Janeiro, embora educado em Jacarezinho.





