LUIZ GERALDO MAZZA
O casuísmo do governo
Como até agora não ganhou a guerra do pedágio em qualquer dos ''fronts'' em que foi deflagrada do político ao administrativo e deste ao judicial aposta o governo Requião na hipótese de o STJ manter, no colegiado, a decisão do seu vice-presidente na liminar que derrubou o último reajuste. Não será batalha fácil, embora o precedente havido abra perspectivas para um nova ofensiva, daí o pedido de redução, genérico, bem ao estilo da tropa, de 60%.
Há uma suspeita igualmente generalizada de que a tarifa é elevada demais e que um aperto aqui e outro ali poderiam reduzi-la como se conseguiu com a ''Caminhos do Paraná'' jogada na parede pelo envolvimento de um dos seus sócios na transferência, via CC-5, de dólares ao exterior, e mais um glosa contábil naquela auditagem (considerada nula de pleno direito pelo Tribunal Regional da 4 Região) do DER e que teria chegado a R$ 36 milhões. Assim, fragilizada, a empresa capitulou mas com alguns ganhos ao reduzir tarifas com a compensação de cobrá-la na ligação entre Araucária e Lapa e também na renúncia a obras complemnentares.
Com esse trunfo à mão, o governo apertou as tenazes, mas ainda continuou perdendo até que o presidente em exercício do STJ anulou, liminarmente, o último aumento que deveria ter vigorado em dezembro de 2003 só autorizado, tantas as confusões, em 30 de janeiro deste ano e derrubado em seguida. Só no Paraná essa guerra foi politizada já que se trata de modelo nacional, ainda que de um modo geral haja a suspeita de que se embute nesse preço elevado alguma contraprestação clientelística.
De um modo geral a esmagadora maioria da população acha o pedágio um ônus escorchante e que afeta o custo Brasil e até apóia, hoje desconfiada porque não vê progressos, as pressões do governador. Só que já passou um terço da gestão, tanto de Lula quanto de Requião, e aqui há apenas onda, paixão, agito e baixíssimo resultado prático (a não ser tragédias como a dos prejuízos do Porto), posto que tenhamos algo como a Dança de São Vito no Paraná e um caso irremediável de catatonia na União.
BIZARRICE - Até agora um terço do mandato de Lula e Requião e nada. Dois terços, um em cada mão, é o que teremos que usar em nossas rezas para ver se esse quadro muda. Ficar do jeito que está não dá.
AXIOMA - O vice-governador, Orlando Pessuti, vai ficar menos tempo na Secretaria da Agricultura para dedicar-se ao processo eleitoral. Disse à CBN que apenas em Ponta Grossa está acertada a aliança com o PT. Aqui não, aliás confirmando o ponto de vista dos que têm votos no partido, todos unidos pela candidatura própria, como a direção nacional do PMDB está recomendando. Os devotos sem votos é que defendem a coligação ainda no primeiro turno.
GLOSA - Doático Santos, um dos líderes da briga pela baixa dos ingressos na Arena, festejou a decisão judicial, mas perdeu no jogo com o empate. Bom no jogo, ruim no amor e vice-versa. Na convenção pode se dar o mesmo.
EPIGRAMA - E agora, com o algodão transgênico, teremos novas investidas dos ''cruzados'' ou a turma agirá como lã entre cristais?
FOLCLORE - Salário mínimo de R$ 260: oposição e governo acham pouco, o Banco Central acha muito e o FMI e o Banco Mundial acham graça.
CROMO - Eclipse da lua é hoje, a dos políticos quase sempre, todos os dias.
AFORÍSTICO - A TV Educativa é muito boa quando aquele personagem não entra. Evitá-lo é como exigir a saída do macaco gigante do filme ''King Kong''.





