CPI necessária

Se há uma CPI necessária, essa é a do Porto, mais do que qualquer outra. Já tivemos cinco devassando o governo passado e pega bem para a saúde do regime que ela se revele eficiente pelo fato importantíssimo de colocar sob fogo a atual gestão que abusa da hegemonia numérica do Legislativo.
Indispensável que funcione para valer e desmistifique a armação psicossocial intentada pelo Palácio Iguaçu para desqualificar um movimento praticamente unânime da sociedade paranaguense. Urge ver os números para checá-los com os da propaganda ufanista, como aquela que comparou Paranaguá com Santos, e já foi devidamente desmascarada pela Associação Nacional de Exportadores de Cereais, denunciando a empulhação.
Enquanto isso ocorre no front legislativo, as articulações no administrativo prosseguem no sentido de regularizar absurdos como a concessão de servidão de passagem aérea, já denunciada em ação popular e cancelada (aliás não havia a licitação) por Eduardo Requião, mas não efetivamente anulada. Interessados tentam em instâncias administrativas aparar essas restrições de ordem formal e outra que também beneficia outros grupos de operadores que objetiva a cessão de mais espaços para armazenagem.
Orgãos como o Tribunal de Contas que poderiam operar como um filtro para desvios e irregularidades são lentos para tomar uma decisão entre o ponto de vista de um auditor, normalmente mais quente no rigor, e a posição final do colegiado, essa menos técnica e mais política. Os casos das cassações de Jairo Gianotto, de Maringá, e Belinati, de Londrina, o comprovam de forma radical. Foi preciso a intervenção da sociedade organizada para puncionar o apostema que latejava há tempo e cuja infecção carecia de drenagem urgente.
BIZARRICE Pedágio, sem ágio, é o público. Tal qual Requião deseja na Br-376, embora o respeitável público vá pagar também tudo pela segunda vez.
AXIOMA Se índio e sem-terra são inimputáveis, é difícil saber quem é putável no Brasil. E se são poucos por que tantos se referem às mães dos putáveis?
GLOSA MST não deve ser satanizado. Mas não pode ser beatificado como deseja, de forma injusta, a Igreja. Em cada invasão não se deve enxergar agricultores com foices à mão, mas uma legião benfaseja de anjos, querubins e serafins.
EPIGRAMA Só para Requião o porto está numa boa. Anteontem Pratini de Moraes, ex-ministro (duas vezes) da Agricultura e três em outras pastas, disse que o prejuízo de Paranaguá alcança mais de R$ 1 bi. A Globo mostrou que a exportação de soja por aqui caiu pela metade.
FOLCLORE Dois lançamentos de livros de jornalistas o do Vanderlei Rebelo sobre Ney Braga e o de ficção de Fábio Campana uniram direita, esquerda, centro, todo o espectro político e social. Seria um sinal de que jornalistas seriam capazes de fazer a ponte entre o ''sim'' e o ''não''? Como diziam os latinos ''omnes definitio periculosa est''. Toda definição é perigosa. Menos para uma pessoa que estamos cansados de ouvir diariamente.
CROMO Membros do Tribunal de Contas almoçaram em Piraquara num restaurante chamado ''Caverna das Trutas''.
AFORÍSTICO A vaia a Lula por operários metalúrgicos ajuda o Brasil a raciocinar: com ela ficamos cada vez mais distantes do risco do messianismo, pois ninguém na história do Brasil teve tantas pré-condições para encarnar Antonio Conselheiro e, de forma simultânea, um estadista.
VINHETA Greca estava comandando a barraquinha na Boca Maldita que colhe assinaturas pela candidatura própria. Bate córner e quer fazer gol.

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