Política dos governadores

Justamente no momento em que o governo brasileiro ganha um sinal do FMI para uma flexibilização de rituais quanto à retirada do superávit primário de investimentos em infra-estrutura, voltamos à velha e clássica política dos governadores que, como sarampo e viroses oportunistas, retorna à baila. Todo estafe de Lula, Aldo Rebello à frente, fez o máximo esforço para ''minar'' a pauta das reivindicações que a rigor visam mexer nas suas dívidas e há até quem encene uma possível ida ao Judiciário contra a União.
Dos 27 governadores há muitos que não estão dispostos a ceder, dentre eles o paranaense Roberto Requião e o de Minas Gerais, Aécio Neves. A quebra do Estado é visível, a ginástica do poder é elástica: tenta ''enrolar'' servidores, sem-terra, sem-teto, prometendo o que acaba não cumprindo. Boa parte do surto paredista de servidores federais se funda exatamente na falta de cumprimento do acertado como se vê na questão dos previdenciários.
É em situações-limite que se percebe como o imobilismo tomou conta do País. Algo apropriado à comparação feita pelo mestre Belmiro Valverde de que estamos num cenário que lembra em tudo a esquizofrenia catatônica. Aquela ambivalência doentia traduzida no paciente por uma postura de estatuária.
A cobrança dos governadores é pertinente, entre elas a referente a Lei Kandir e que atingiu especialmente o Paraná com as desonerações fiscais da exportação e isso sem falar em verbas atrasadas para compromissos nas áreas de segurança e do sistema prisional, como alertou o governador paulista, Geraldo Alckmin, no ''Bom Dia, Brasil'' de ontem. Todas as confrontações desse tipo foram, e de forma clássica, empurradas com a barriga e com discurso anestesiante.
BIZARRICE - O ocorrido ontem com o Buba indica que o ''Big Brother'' prossegue e de uma forma diferente de ''voyeurismo''.
AXIOMA - No Canal Livre da Bandeirantes ficou demonstrado que Requião não tem a mínima noção da existência do outro, como se fosse o centro do universo. É incompatível com o debate, a diversidade. Se os jornalistas do programa fossem do Paraná e a audição aqui realizada muitos correriam o risco de perder seus empregos, dada a postura dos donos dos meios de comunicação. Essa submissão os desmoraliza e não ajuda em nada a mudar comportamentos, incluindo o líder mor.
GLOSA - Satanizar sem-terra não pode. Fazê-lo com transgênicos é positivo. Com esse tipo de lógica descartamos a inteligência.
EPIGRAMA - Uma associação de exportadores desmantelou a versão triunfalista de um anúncio do governo sobre o Porto de Paranaguá. Ouvir outro lado dá essas surpresas.
FOLCLORE - Há quem não aprecie a comida de Santa Felicidade, causa maior do progresso daquele bairro-colônia. O ex-cônsul de Curitiba Guido Borgomanero dizia que não era comida italiana, mas crioula. Outros afirmavam que da comida ao vinho havia uma ''santa falsidade''. É justamente na concentração política, tal qual a do último sábado, que se identifica a ''santa falsidade''.
VINHETA - Boa iniciativa da bancada de vereadores do PT em pretender homenagear a primeira das nossas vereadoras: a combativa (era comuna) Maria Olímpia Carneiro que se revezava com o Hedel Azar, estudante de engenharia, e que operava como suplente. Imaginem nos anos 40, em Curitiba, uma vereadora da esquerda muito determinada com seus objetivos. Foi, entre outras coisas, uma das participantes da campanha de defesa do petróleo. Para mostrar que o tempo muda temos duas filhas de comunas, Nazareth, filha do líder operário Newton Abel de Lima, e a deputada Elza Correia, filha do Manoel Jacinto, são candidatas às Prefeituras de Paranaguá e Londrina.

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