LUIZ GERALDO MAZZA
A aliança na rua
Os outdoors da aliança PT-PMDB já estão nas ruas. Prova de que a paranóia de forçar uma situação, o que é sinal de fraqueza, não impede que os adeptos da fórmula raciocinem. Eles não temem a convenção porque a dominariam de qualquer forma, como é o jeito de ser da ''tigrada'', vide a última convenção municipal em que inventaram um ''quorum'' desmoralizado na Justiça ou aquela outra bem sucedida igualmente do ''Ferreirinha''. Se imprimirem a fúria desesperada não evitarão dissidências fortes e determinadas, capazes de ''melar'' tudo.
Do lado dos aliancistas há um temor em especial: se sair a candidatura própria do PMDB, o escolhido, seja Guga ou Rafa, partiria para desmontar Ângelo Vanhoni. Bem na fórmula adotada por Requião para bombardear Richa no primeiro turno e depois com o falso pistoleiro ganhar do Martinez o segundo.
É gente com ''know how'' em todos os segredos do jogo baixo da política, mas nessa reflexão a de que a candidatura própria do PMDB começaria por agir fortemente contra Vanhoni e o PT está com a razão. Se em aliança já parecem mal, imagine-se se ficarem divididos. Todas as simulações indicam segundo turno e dá para perceber que neste tudo pode acontecer, mas especialmente a união das forças ligadas a Taniguchi nas postulações do PFL, de Mauro Moraes e de outros menos referenciados provavelmente se ligando a Beto Richa que, pelos dados de hoje, seria o finalista.
Os analistas que andaram interpretando as pesquisas sobre quem detém maior poder de fogo como cabo eleitoral esqueceram que elas conferem justamente ao senador Osmar Dias, na indicação espontânea, como o de maior salto entre os pólos positivo e negativo. E as aproximações de Osmar com Beto Richa até mesmo estimuladas pelo irmão, o senador Alvaro Dias, contam pontos.
BIZARRICE - O sociólogo Francisco de Oliveira deixou um rastro de QI na ''escolinha'' para mais uns cem encontros. Estoque de massa cinzenta.
AXIOMA - Essa aliança PT-PMDB está mais parecendo algema.
GLOSA - Enquanto a primeira dama, dona Marisa, bota uma estrela vermelha no jardim do Burle Marx (petistas, quando souberam do sobrenome, ficaram lívidos) e o prefeito de Ponta Grossa é obrigado a retirá-la da logomarca municipal, o PT curitibano foge dela por método. Na eleição passada a deixou amarela e no out door da aliança tascou-lhe um verde Boticário sem estrela. Haja mimetismo.
EPIGRAMA - A política aqui praticada é impermeável à inteligência. Deu para percebê-lo na escolinha ontem com a fala do sociólogo Francisco de Oliveira. Algo como um Einstein num curso de alfabetização.
MÁXIMA - Uma das sacadas do sociólogo, que se esmerou em criticar Lula, como aliás fez o seu colega Octavio Ianni antes de morrer, foi aquela sutileza de afirmar que quando há deficiências a esconder os atores se mostram rígidos na moral. Essa dá pra pegar vários, inclusive o chefão.
FOLCLORE - Várias autoridades têm afirmado que a prioridade no atual governo é combater o crime do colarinho branco. Por isso que só no fim de semana passada em Curitiba tivemos 15 homicídios e sete tentativas. Como está mais do que provado que a causa dominante desses crimes é o tráfico de drogas é o caso de mostrar que o pó branco é mais devastador que o colarinho, embora este alimente muito mais a mídia.
CROMO - O copo d'água ao lado do rádio e da fala do padre Marcelo Rossi, água benta ajustada à indústria cultural.
AFORÍSTICO - Já tivemos no governo um sociólogo, Munhoz da Rocha, em condições de encarar o Francisco de Oliveira. De lá para cá a distância é enorme.





