LUIZ GERALDO MAZZA
Um recado sutil
Há quem interprete a vinda do ministro dos Transportes para firmar convênio do Eixo Metropolitano que transforma em ''avenida'' o antigo traçado da ex-BR-116 que há muito tempo é coletora de transporte urbano, isso há mais de 30 anos, em mais de 75% do seu tráfego diário, num recado sutil ao governador Requião quanto à sua postura de alternativo ao presidente Lula. Recado mais ou menos de linha semelhante foi dado no caso do Porto de Paranaguá que o governo atual está condenando ao sucateamento de forma programada com a intervenção tanto do Ministério quanto da agência reguladora.
Como as ações críticas de Requião encontram guarida em setores rebeldes do PT e do PMDB, aí certamente no pragmatismo visando mais espaços e vantagens na velha tradição do fisiologismo que caracteriza o partido como um PFL tímido, elas acabam encontrando caldo de cultura para fixação na medida em que as ações de Lula se distanciam das expectativas que havia gerado. Se esperam que Requião fique constrangido com mensagens indiretas, oblíquas, do gênero estão redondamente enganados. No PMDB, com o mesmo estilo e aí tratando adversários como corruptos, como se viu na cruzada do ''Disque, Quércia'', Requião chegou a ser provisoriamente expulso do partido, o que lhe encheu a bola em cima de um falso martírio, como se dera também com a cassação pelo TRE por causa do estelionato eleitoral do Ferreirinha.
Sabe que tende a beneficiar-se das contradições de Lula e da sua adesão ao pragmatismo dos acertos com o FMI e uma ortodoxia monetária que estiola o país como se vê na quase recessão que derruba a renda dos brasileiros e empregos, embora saudada como fator de estabilização. E por isso não dará a mínima para esses sinais de desaprovação. Com um detalhe: as pesquisas mostram que Requião é mais importante como eleitor, no pleito municipal, do que Lula.
ENCONTRO DO PMDB - A mobilização de governadores peemedebistas, provocada por Roberto Requião, a partir de hoje, é outra prova de que para recados sutis é preciso respostas concretas. O governador paranaense quer tirar o máximo partido da aliança do PMDB com Lula e pretende, nesse encontro, elaborar uma pauta reivindicatória comum dos governadores junto à União. Não há como deixar de reconhecer que a jogada de Requião é válida e rompe com a tradição interna de alinhamento em troca de nada, às vezes de um ministério, enquanto o peso de nossa participação no conjunto da vida nacional é abertamente minimizado.
De outro lado, porém, essa arregimentação indica que as outras solicitações de Requião ao governo central estão ''encruadas'', atingidas por uma ordem econômico-financeira engessada e sem perspectivas de saída.
CANDIDATO PRÓPRIO - Há um detalhe que pode não agradar o governador nesse encontro com seus colegas de partido: a maioria deles como da direção nacional do PMDB defende candidaturas próprias nos principais colégios eleitorais e em especial nas capitais metropolitanas. A indicação de Michel Temer em São Paulo é referencial e, talvez, reverencial. Quem se alegra com isso é o deputado federal Gustavo Fruet e o estadual Rafael Greca, unidos transitoriamente na canoa (que não carece de correção como a Nau Capitânea) da postulação própria.
ATLETIBA - No Atletiba da política Jaime Lerner, Cassio Taniguchi, Gustavo Fruet e Rafael Greca levaram a melhor como coxas brancas diante de Requião, Ângelo Vanhoni e Alvaro Dias, atleticanos. Também aí o Doático Santos, derrotado.
FOLCLORE - A APP, em guerra com Requião, acusa o governo de demitir grávidas. De repente, de herói, que lhes deu o Plano de Cargos e Salários, vira Herodes.





