O eleitor-chave

Dizem alguns jornalistas da área política, baseados em pesquisas recentes, que Roberto Requião seria um eleitor mais importante do que Lula no caso do pleito em Curitiba. Se assim é por aqui, certamente o será por todo o Paraná. É a chance de Requião retribuir o ''empurrão'' de Lula que o elegeu. Aliás nosso governador sempre se elegeu nas costas de alguém: como prefeito de Curitiba, graças a Richa que o carregou às costas como São Cristovão, que não está na greve do Porto, o fez com Jesus menino e quando candidato a governador na vez primeira devendo tudo especialmente a Alvaro Dias que facilitou a farsa do Ferreirinha e, especialmente, se manteve no posto para evitar a derrota que viria inapelável com Ari Queiroz no governo e o time de Aníbal Khury apoiando José Richa. Requião detonou Richa e deletou Alvaro. Não o fará com Lula, ainda que o esteja espicaçando diariamente com críticas superficiais como se ele tivesse folga para romper contratos.
Para esses analistas Requião está com melhor Ibope do que Lula. O PMDB se liga no argumento para defender a candidatura própria (Greca ou Fruet) e deixar a aliança com o PT para o segundo turno. O governador hesita, sabe que Vanhoni, apesar de contaminado pela queda de Lula, é ainda o mais denso dos candidatos no município. E reconhece a sua lealdade ao manter-se como líder do governo no Legislativo. O tumulto permanente que tem sido a gestão Requião dificilmente se sustentará como ''marketing'', embora a exposição na mídia.
Ainda, segundo esses analistas (urge não confundir analista com avalista), Lerner e Cassio Taniguchi não existiriam estariam ''zerados'', o que cheira a coisa subjetiva, desejo pessoal, pois não é o que se capta nas ruas e quando sai alguma sondagem sobre desempenho de prefeitos das capitais. Em termos de sinais de presença das gestões lernerianas e as de Maurício Fruet e Requião há uma surra categórica e que pode ser colocada como analogia na campanha.
Há uma vontade de mudar, de virar, que ficou expressa na campanha. Há algo como um repertório esgotado, cansativo, em cima da manipulação das mentes ao longo de duas décadas, estresse, fadiga do material. Não se percebe QI sério na oposição que chega ao cúmulo de temer uma ofensiva crítica, tal qual agiu na eleição em que quase ganhou. Com essa inibição dança. Se forçar demais também.
BIZARRICE O estoque de lama da campanha municipal dará para sustentar as olarias ainda existentes em Curitiba. Surfar na lama é menos desagradável do que fazê-lo em bosta, o que também pode acabar ocorrendo.
AXIOMA Tanto a situação não tem ainda um foco diferenciado para as eleições como a oposição, seja PMDB isolado ou aliado ao PT, não sabe o rumo a tomar.
Urge que Vanhoni pelo menos decore o programa do partido para não cair naquela pegadinha do Procel que estava detalhado em três páginas.
GLOSA Lerner teria feito o desmanche do Estado. O atual governo está fazendo isso especialmente com o Porto.
EPIGRAMA Requião criticou procuradores federais pelo fato de o enquadrarem em falta eleitoral. Se algum estadual tomar alguma providência crítica ele também vai chiar, embora isso não esteja acontecendo. O MP é independente desde 88. E é indispensável que cultue a prerrogativa.
FOLCLORE O cineasta Bertolucci fez um filme sobre os incidentes de 1968 e conta a história em cima do comportamento de três rapazes e uma jovem, tudo na base do mais desenfreado erotismo. O jornalista Eduardo Schneider comenta ''Os Sonhadores'' que superaria o ''Último Tango em Paris'' em atletismo sexual e arremata que embora tratando de 68 se liga muito em 69.

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