LUIZ GERALDO MAZZA
O intocável
O semanário ''Hora H'', que glorifica os feitos de Requião, botou em sua última edição na capa a foto de Jaime Lerner como se fosse o Al Capone e com o título ''Fecha-se o cerco à Máfia'' para caricaturar os constrangimentos de ex-secretários do governo passado na prisão em função das entregas do doleiro Youssef. O nosso governador assumiu definitivamente a condição de ''justiceiro'' encarnando o papel dos ''intocáveis'', um Elliot Ness, tempo integral, mais amedrontador do que o monstro do lago Ness para os corruptos, incluídos aí os que o tentarem em seu governo. Só que intocável mesmo, como sabeis, é o primeiro irmão, causa de todos os males, ao menos na visão dos parnanguaras e operadores, no Porto.
Lerner é sabidamente um bem humorado. Chamava o Cândido Gomes Chagas, um dos seus críticos sistemáticos, de ''meu inimigo de estimação''. Como uma vez ao ser avisado que depois de ''ferradas'' diárias que eu lhe aplicava um dia, por um motivo específico, o elogiei e os áulicos foram avisá-lo e ele se saiu com essa: ''quero o direito de resposta!''. E fazendo autocaricatura costuma dizer que jamais iria a um debate com Requião, pois enquanto o Rafael Greca responderia qualquer observação do oponente em segundos ele o faria apenas no dia seguinte e olhe lá! Outra, muito boa, foi a analogia com Brizola: ''ele é um carismático e eu sou apenas um cara asmático''!
Da mesma forma que os times de futebol assimilam os apelidos negativos e os transformam em positivos e identificadores como o Coritiba com o ''coxa'' (coxa branca era referência a alemães) e o Palmeiras com o ''porco'', Jaime Lerner poderia fazê-lo com essa gravura do Al Capone na qual aplicaram a sua face. Há quem diga que no festivismo do Rio de Janeiro a sacada faria sucesso ainda mais depois das guerras nos morros.
Da mesma forma que não dá para ajustar o Guevara ao Lula ou ao Chávez da Venezuela, essa do ''poderoso chefão'' para Lerner não pega. Afinal dá a impressão de que não controlava nada. Ele tinha mais jeito de ''refém'' de um sistema do que de condutor. Tanto que o responsável pelos desvios da Banestado Leasing acabou promovido a secretário de Esportes e Turismo com a máxima naturalidade, embora houvesse nada menos de 21 notícias crime nas justiças estadual e federal sobre os rocambólicos feitos até agora impunes.
BIZARRICE No Café Ritz Rafael Greca e Acir Mezzadri estão numa mesa e convidam o Candinho Gomes Chagas, o da revista ''Paraná em Páginas'', para acompanhá-los. Trocam idéias sobre as eleições e Candinho acha que o Beto Richa tem mais condições, pelo menos hoje, de levar a melhor. Rafael pergunta: e o Caixa 2?
Candinho replica ''mas você estava lá junto com o Marcos Isfer e outros. Você inclusive puxou os olhos sorrindo pedindo votos pro japonês!'' Greca sorriu de novo, como é bem do seu espírito, mas sem fazer o olhinho nipônico.
EXEMPLO Estudantes de Engenharia Civil da Federal fazem hoje um ''trote'' diferenciado, com caráter cívico, no Piá da Estação Barigui: vão reparar e pintar as instalações calouros e veteranos, unidos. Lição pedagógica. Entre eles uma sobrinha, muito querida, Marina. Esse é nepotismo cívico.
FOLCLORE Uma das armas nacionais em campanha eleitoral é acentuar a possível burrice. Uma das maiores vítimas foi o Benedito Valadares, o que não o impediu de ser um dos mais importantes políticos mineiros. Na disputa entre Leite Chaves e João Mansur inventaram várias dos dois. Numa delas a pessoa chegava na casa do Mansur que via televisão e perguntava ''Firme?'' O Mansur respondia ''Não. Futibor!''





