O medo voltou


Diziam que a esperança havia derrotado o medo quando Lula se mostrou palatável aos credores internacionais no governo e manteve, com rigor maior, as relações com o FMI do que o seu antecessor. Só que o Brasil, para o JP Morgan, aumentou a sua margem de risco e em cima das concessões, tidas como extremadas pelos monitoradores da nossa economia, a reivindicações nas áreas de pensionistas e servidores públicos.

Esse tipo de inspetor é inflexível. Ele não está nem aí para levar em conta o fato de estarmos num ano eleitoral, por causa da eleição dos burgomestres, em função do qual outras dádivas serão feitas na velha tradição populista e assistencialista da praça. Não levam em conta as greves da Polícia Federal e dos agentes da Receita e o andamento do motim do MST. Cai o risco Brasil, desvanece-se a esperança e o medo volta.

BLEFE EDUCATIVO - Claro que para os políticos isso aí - ameaça de agências - dá para tirar de letra, mas não é bem assim. Vários bancos do país quebraram com o aviso prévio desse sistema que não ignora, por exemplo, por ser um fato notório, o cerco da mídia para ''passar o chapéu'' no BNDES, como assegurou a Carta Capital. Essa, aliás, outra incompatibilidade com a democracia e qualquer vestígio de modernidade, apesar dos eufemismos que serão empregados para justificar a operação. Bilhões para a mídia, bilhões para sem terras e funcionários federais, não se sabendo ainda o tamanho da conta de proventos dos milicos. E de outros que já estão no disparo.
Obviamente esse comportamento e mais a intenção de mexer mas metas, na verdade um ''garrote vil'', do Fundo Monetário Internacional quanto ao superávit primário geram um cenário que leva os mais realistas a dar nota baixa ao país que há muito perdeu a sua soberania, por causa da dependência externa e que como todos os cidadãos, se mata com o sacrifício interno para pagar juros. Somos um Estado sob tutela e curatela internacional, sem nenhum raio de autonomia.

ANALOGIA IMPOSSÍVEL E BURRA - É isso que explica por que não há sentido na sugestão do governador Roberto Requião para que Lula o imite, o que significaria aproximar-se mais rapidamente do abismo. Pelo jeito o nosso governador não tem vertigem e o presidente se acautela. Os radicais acham, sem qualquer compromisso com a realidade, que se ''acadela'', um conceito boçal e estúpido de quem subestima o tipo de pressão recebida.
Cai o risco Brasil, mas também o do Porto de Paranaguá com os caminhoneiros na fila e que têm sido estimulados por gente do próprio governo ao pleito de diárias, de estadias pelo sacrifício de ficarem nas estradas como silos sobre rodas. O diretor do porto, Eduardo Requião, com visões conspiratórias, ora acusa as mesmas forças que paralisaram o terminal desses atos ou então as cooperativas de não programarem adequadamente as cargas e não estarem equipadas para a armazenagem, o que elas contestaram vigorosamente.
Dá para perceber a diferença da situação nacional e da local. Aqui quanto maior a confusão melhor para os atores políticos. Em Brasília o medo leva o presidente a quanto maior a pressão do MST a mais concessões e assim se dá igualmente com qualquer categoria razoavelmente organizada. Há desconfiança que o alerta do JP Morgan é blefe pelo menos entre os esperançosos para inibir ações generosas. Aqui o rumo ao caos é fator de estímulo e excitação, algo apropriado ao ecossistema da liderança maior.
Entre os que querem a mudança do ''modelo'' está o MST que acha que o futuro do Brasil não está nas coisas modernas e que o agigantam diante do Primeiro Mundo, mas no recuo no tempo atrás da utopia retrô do minifúndio genérico.

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