LUIZ GERALDO MAZZA
A matemágica de sempre
O governador tem todo o direito de defender o porto público. Nada justifica a expectativa de que pretendam privatizá-lo, desculpa esfarrapada para a quebra de eficiência, detectada pelos operadores e confirmada pela agência reguladora e causa da mobilização de toda a sociedade parnanguara que deveria estar indiciada pela polícia. Dá para imaginar tal governo com atos institucionais.
Para reverter na opinião pública a evidência de que o porto é pelo menos agora um fator de estrangulamento da economia paranaense e nacional, visível nas filas que aí estão novamente, o governo usou estatísticas de 2003 e em analogia com o maior terminal do Brasil, o de Santos, para mostrar que o da terra é mais eficiente do que o paulista. Usar estatísticas favoráveis é uma antiga tática. No primeiro trimestre do ano passado foram criados 54 mil empregos no Paraná e Requião, rapidinho, fez as contas: são 18 mil por mês e 600 por dia. ''Em cada dois dias uma montadora'', dizia, eufórico, Requião como se tais empregos tivessem sido gerados por obra de sua administração. Só que ao final do exercício a média caiu pela metade: 300 por dia, a maioria esmagadora no interior, muito poucos na Região Metropolitana.
Com o porto está se dando o mesmo. No ano passado, segundo o ex-diretor técnico, bode expiatório da conflagração, Ogarito Linhares, no ''pico'' das exportações, chegou-se ao recorde de 108 mil toneladas/dia, enquanto a média deste ano caiu abaixo da metade para 50 mil toneladas/dia.
No primeiro governo Requião seus homens de comunicação pegaram indicadores do IBGE relativos ao incremento da produção industrial num determinado mês e que assustavam. Só que o mestre Judas Tadeu Grassi desmistificou a encenação ao mostrar que o incremento se dera na indústria química e por força de um detalhe: no ano anterior, de referência, tinha havido uma greve prolongada na Refinaria de Araucária, que zerara a produção e explicara o ''salto''. Era o salto do zero ao infinito, de que tratava Arthur Koestler.
BIZARRICE - Se todo o cidadão desempregado que desejar falar com Lula em dois dias e não conseguir resolver incendiar-se teremos marcha ao flambeaux antes do tempo nas imediações do Palácio Alvorada.
AXIOMA - No Vietnã os bonzos se deixavam incendiar na rua e até Requião costuma citar o evento como um caso de entropia. Do horror das primeiras páginas, a notícia caía para as colunas de curiosidades das páginas internas. Mórbidos poderiam ver no caso brasileiro uma forma de abrandar o ''apagão''.
GLOSA - Secretários de Segurança brincalhões é moda brasileira, mas ninguém supera o Garotinho no deboche que aprontou em cima das Forças Armadas. Se o governo se respeitasse daria a reprimenda. Ele queria que os milicos ficassem à sua disposição e ainda por cima indicando as favelas em que agiriam. O Brasil merece os políticos que têm.
EPIGRAMA - ''Plante que o governo garante''. Mas que desplante!
FOLCLORE - Em Iporã a Câmara de Vereadores insistiu junto ao deputado federal Osmar Serraglio (PMDB) para que houvesse a liberação de recursos para construir a Capela Mortuária da cidade. O deputado, em expediente de 18 de março, informou que a nota de empenho de R$ 100 mil já foi emitida em 24 de dezembro do ano passado, véspera de Natal. Até agora o Papai Noel não trouxe o presente, já que a obra persiste só em projeto e vários se foram sem passar pela Capela.
VINHETA - Requião diz ter entendido agora o significado de ''cadeia produtiva'' ao ver o Ingo e o Campelo presos. Falou isso em solenidade com prefeitos e prometeu que o PMDB vai, sem dinheiro público, divulgar isso no Paraná. É a única das ''cadeias produtivas'' do governo com suas cartilhas.





