LUIZ GERALDO MAZZA
A primeira vitória?
Até hoje o governador Requião não conseguiu nem eleger seu sucessor e muito menos alguém que ele indicasse para prefeito de Curitiba. Se não logrou sequer emplacar o irmão, o Maurício, quer para prefeito ou para deputado federal tem-se a idéia de que, apesar de sua inegável liderança, não transfere prestígio.
Pois agora tem duas possibilidades de derrubar o tabu, quer embarcando na canoa, até aqui mal calafetada, da aliança com o PT, com Ângelo Vanhoni que parece perder mais espaço do que o próprio Lula, ou aderindo à tese dominante, entre os que têm votos, da candidatura própria, o Guga ou Rafa, esse bem mais credenciado pelo ''punch'' e o talento verbal. Na entrevista à ''Folha de S.Paulo'', ontem, a despeito de todas as críticas que fez a Lula se disse seu aliado, profetizando estrondosas derrotas eleitorais, mas admitindo que poderia apoiar Vanhoni. Aí há o velho sinal da soberba: só ele seria capaz de no pleito segurar a queda de Lula por aqui.
Nessa entrevista, por sinal um amontoado de clichês superficiais sobre coisas que não domina como neoliberalismo e a complexidade da falta de espaços de manobra para o Brasil, deita e rola com a ligeireza habitual como a de que o ocorrido no Porto de Paranaguá foi um tentativa de privatização e não o resultado claro da incompetência e da imprevidência, detectados pela agência reguladora.
Como o PT anda se agarrando em fio desencapado e Requião deve estar com mais imunidade do que Lula, pelas decepções generalizadas que provocou, ao velho oportunismo da praça o governador surge como bóia salvadora nessa enchente de frustrações. E os ''companheiros'' não hesitam em optar pelo menos desgastado até pelo discurso que restabelece o Estado patrimonialista e o nacionalismo, rematados equívocos da esquerda populista. Essa que confunde teimosia e fé na
demagogia com conhecimento.
O ANTIPARADIGMA - Desde o início do governo, Roberto Requião tem operado em contraponto às diretrizes nacionais. Obviamente Lula, mesmo que se passasse por um Chávez, aquele de Caracas, bem pior do que o da série da tevê mexicana, não tem como no centro do poder adotar essa folga de romper contratos. Aliás na entrevista à ''Folha de S.Paulo'', como se o cenário dele fosse mais ou menos igual ao do presidente, sugere que Lula siga o seu caminho. Ninguém no Paraná sabe que caminho é esse, a não ser o fermento do tumulto, o que dá idéia de dinâmica em meio a um imobilismo assustador, ainda que menor do que o do governo federal.
Como é que pode um governo que aposta na parceria público-privado para tocar a infra-estrutura econômica, e com isso reativar a economia, seduzir os prováveis interessados com quebras de contratos e falta de marcos regulatórios bem definidos? A obviedade é tamanha que dispensa explicação, mas quando um inspirado fala ao mortal comum só cabe o dever de ouvi-lo encantado.
BIZARRICE - Apesar de ter pisado na bola, um ex-presidente dos Estados Unidos parece ter sido profético ao confundir o Brasil com a Bolívia. A guerra civil instalada nas favelas do Rio, tendo a Rocinha como foco principal, recoloca o sentido daquela inadequada analogia, hoje bastante apropriada.
AXIOMA - Em direção ao caos, estamos sempre no rumo certo.
FOLCLORE - No vestibular é totalmente inconveniente fazer perguntas sobre o dia do ''Fico''. Pra gurizada de hoje ''ficar'' é se deixar ligar provisoriamente à quase namorada, ainda não promovida a tal.





