Siderurgia de factóides

Tirando as excelentes medidas de política fiscal adotadas por Heron Arzua, o que tivemos de construtivo e concreto do governo estadual? Muito pouco, embora com uma atmosfera convulsiva e passional como se estivéssemos em permanente campanha eleitoral e isso desde o primeiro dia.
A forma como foram criados os fatos consumados de ruptura contratual, a maioria dos quais pode reverter no Judiciário, e campanhas fundamentalistas como a dos transgênicos (o governo federal insiste em mostrar o absurdo e a inviabilidade de como segregar o produto geneticamente modificado, já que proibir o seu escoamento no porto é ilegal) e do pedágio revelam que inexiste um plano de ação estatal e sim o varejo de um noticiário passional com a autoridade alimentando e potencializando expectativas de difícil cumprimento.
Dessas cruzadas a que emplacou foi a dos bingos em decorrência de um desvio de conduta na intimidade do governo federal e que levou Lula a abandonar planos de regulamentar a jogatina, o que estava sendo feito por um grupo de trabalho interministerial coordenado pelo premier Zé Dirceu.
Outra medida construtiva, a do Plano de Cargos e Salários dos professores, acabou batendo na trave com a verificação, a posteriori, que os dispêndios extrapolavam os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Nesse caso Requião tem todo o direito de considerar o diploma inexistente se derrubarem o veto e estará protegido pelo entendimento de constitucionalistas, já que haveria no caso lesão aberta à competência exclusiva do Executivo em matéria que implique em aumento de gastos.
BIZARRICE - ''Ou eu ou a soja transgênica''. É a colocação radical do Eduardo Requião. Tradução: ''Ou eu ou a intervenção federal no porto''. Ele é a única e derradeira garantia contra as duas coisas. Se sair será o fim do mundo.
AXIOMA - A promessa solene de acabar ou fazer baixar as tarifas do pedágio ainda não cumprida é realimentada, volta e meia, com medidas administrativas ou judiciais, mas o usuário continua pagando. Leva mais jeito de um circo do que de uma novela de suspense, embora dê a impressão que o culto à personalidade é bem mais mórbido do que o do folhetim eletrônico da Globo ''Celebridade''.
GLOSA - Enquanto as relações do PMDB regional com o PT nacional se degradam, aqui ocorre o contrário, posto que não se saiba quem precisa mais do outro.
EPIGRAMA - O PT local tem um argumento forte contra o nacional nas divididas com o governo paranaense: ninguém é tão fiel ao ''Requião tem razão''.
VINHETA - Passe escolar de graça? Difícil até o ''passe'' espírita.
FOLCLORE - O repórter e pesquisador histórico Cid Destefani acaba de lançar ''Veracidade'', uma publicação na base de fotos restauradas, especialidade do autor, em cima de Curitiba e do Paraná. ''Veracidade'' é uma expressão rica em torno do ver-a-cidade e da verdade, algo bem no estilo poema-praxis. Ela é abertamente oposta à ''voracidade'' da imagem manipulada e condicionante.
CROMO - O senso de liberdade e descompromisso no parque é a adiposidade da dama da alta roda: nem uma favelada ousaria mostrar-se com tanta auto-estima. Como amar-se tanto em meio ao tremor contínuo da celulite?
AFORÍSTICO - Até aqui tudo bem. O pior será quando começarem a governar o que, afinal, até agora não fizeram.

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