LUIZ GERALDO MAZZA
O PT siamês
O PT paranaense é irmão siamês de Requião. Enquanto o dirigente nacional do partido, José Genoíno, censurava a acefalia no Porto de Paranaguá por seus efeitos negativos à economia do país, petistas da terra, do padrão Natálio Stica, se apressaram a rebater, dado o engajamento preferencial pelas coisas do burgo. Ainda ontem jornais norte-americanos se referiam ao problema do porto apontando-o como um ''calcanhar de Aquiles'' do sistema exportação em crise.
Essa aliança unha e carne é artificiosa, pois nada assegura que esteja garantida a coligação PT-PMDB no primeiro turno da Capital. A justiça já mostrou aos ''entreguistas'' que o ''quórum'' do dirigente Doático Santos pode ser muito bom para as falanges do ETA, Esquadrão da Torcida Atleticana, afinal limitado a pouco mais de 4 mil votos, jamais para o PMDB que tem mais de 20 mil filiados, capados pelo recadastramento do devoto sem votos numa ânsia de fazer inveja às listas de cassações do regime militar.
Essa postura dos petistas de acendrado aulicismo é a radical negação do espírito de luta do melhor partido brasileiro. Parece coisa movida a desespero e paranóia porque aos poucos o quadro de vantagens que privilegiava Ângelo Vanhoni vai se dissipando e hoje ninguém aposta, como há um ano atrás, numa vitória previamente garantida. Ao revés suspeita-se que a vaca está indo para o brejo, tal a insistência dos que se aferram na tese da aliança siamesa.
Esse tipo de submissão intelectual lembra didaticamente a ficção dos Irmãos Corsos. Eram tão afinizados que se um deles em hemisfério distante levasse uma punhalada o outro a sentiria e sangraria; o mesmo se daria se um estivesse transando a mil quilômetros de distância o que seria suficiente para que o outro chegasse ao orgasmo. Esse PT regional está levando ao radicalismo aquele conceito de que só se é universal mostrando-se o maior amor à aldeia. Como o irmão corso, o PT vibra quando Requião agride e impera e sofre muito, quando criticado. No corpo e na alma. Levou ao pé da letra o apelo ''Requião me chama que eu vou!'' Vá ser leal assim na casa do chapéu.
BIZARRICE - A administração portuária no Paraná é transparenteral, conquanto rigidamente anti-transgênica.
AXIOMA - Volto à questão: e se houver decisão judicial (a administrativa ficou bem clara) que obrigue o porto a escoar transgênicos como ficarão os Requião? A ocupação do terminal defensiva pelo Green Peace resolveria ou apenas uma vez mais o Paraná será prejudicado pela incompetência e a teimosia?
GLOSA - Há agora uma justificativa para o desaparecimento das dezenas de toneladas de soja em Paranaguá: seriam suspeitas de transgenia.
EPIGRAMA - Percebe-se agora com a missão da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Antaq, as razões pelas quais o José Genoíno censurou Requião por estar criando problema seríssimo ao sistema nacional de exportação.
FOLCLORE - Como o governador Roberto Requião, na questão dos transgênicos, está sempre no contra-ataque a Antaq só pediu uma coisa: que o governo encontre uma forma identificada, separada, certificada, de isolar o produto geneticamente modificado. É mais fácil modificar a genética do que o estilo de Requião. Quanto mais for aquecida a questão mais alimentará o marketing local e se for ao paroxismo mais gratificado ficará.
CROMO - O pequeno caingangue se alimenta da larva nunca da borboleta.
AFORÍSTICO - Lula, ao menos, é mais humilde: não é Deus, nem faz milagres.





