Símbolos mudam

Quando se pretendia criticar prefeitos, por um suposto mau uso do dinheiro público, isso logo após a criação do ICMS, dizia-se que ''queimavam'' grana com a maior prodigalidade com ''fontes luminosas''. Embora a caricatura, era uma emulação de orgulho e civilidade ter uma fonte mais bem aparelhada do que outra e até animada de ''som e luz'' como uma que vi em Arapongas. Haja poesia com os namorados dando as voltas em círculos intermináveis enquanto admiravam o espetáculo de formas e cores. Lembro de uma crônica que escrevi em torno de imaginária namorada com a qual eu discutia as cores, em Paranaguá, diante da fonte, por causa do daltonismo que me impediu de entrar no CPOR e em compensação me livrou do Exército.
Pois agora pelo que acontece nos municípios limítrofes de Itaipu, graças ao fato de nadarem em recursos procedentes dos ''royalties'' e que receberão até 2023, o que pode transformar-se numa exibição compulsiva de culto a formas refinadas de desperdício, a competição é em torno das estátuas, para ver quem as constrói mais elevadas. Em São Miguel do Iguaçu pretende-se erigir uma que seria a segunda mais alta do mundo supostamente em louvor ao santo padroeiro e que teria executado o dragão.
Deixando de lado a discussão sobre arte e gosto, sempre marcada por um traço subjetivo, é de espantar que outros municípios lindeiros tenham ingressado nessa competição iconográfica, de altíssimo custo: em Santa Helena um Cristo de acrílico e metal se sobrepõe na paisagem a 12 metros do solo e em Itaipulândia há a de Nossa Senhora Aparecida de 20 metros. A que se pretende erguer em São Miguel do Iguaçu, de 90 metros, que só perde para o Buda, de Tóquio, custará R$ 17 milhões e não se sabe se esses recursos virão de leis de incentivo fiscal, de recursos do turismo ou da iniciativa privada.
O Ministério Público, alertado para dispêndios exagerados, costuma fixar um ''ajuste de conduta'', relativamente ao patrimônio público, na constatação eventual de desvios de finalidade ou desperdício. Na verdade o Estado não tem lá muita moral para cobrar esse tipo de eficiência até porque o ex-governador Jaime Lerner conseguiu a antecipação dos royalties da Binacional ainda que os drenando para o Fundo de Previdência, um santo necessário dos aposentados, ainda que discretamente imaterial.
BIZARRICE - Saiu o Ogarito Linhares do Porto, mas não é o suficiente. O mal que cometeram com o terminal é irreparável. A retirada dos ratos também não é garantia suficiente de que deixarão de roer como o fizeram com dezenas de toneladas de soja.
AXIOMA - Ratos em Paranaguá, sim. Transgênicos, jamais.
GLOSA - Recomendação de Requião aos professores: Vapt-Vupt- Veto. Resposta do magistério: top top top. Cá entre nós elegância e jogos florais são um valor mais sensível do que os conflitos.
EPIGRAMA - Há políticos que odeiam a liberdade nos outros como os morcegos fogem da luz e de um crucifixo.
FOLCLORE - Um dia transformamos o Teatro Guaíra num ''aparelho'' e estávamos em plena revolução de 64. O artista era Zé Kéti com seu boné característico. Aí ele começou a cantar algo que nunca foi gravado: ''Você marchou com a democracia/ agora chia/agora chia!'' Era uma caricatura às marchadeiras que acabaram se arrependendo da arregimentação que precedeu o golpe .
CROMO - O número três da revista Etecetera é o Big Bang das artes.
VINHETA - Denúncias cabeludas de irregularidades nas negociações da Araupel. Aí também há fitas de gravações. Por sinal que o parque industrial já foi vendido para a Braspelc do grupo Antunes, paranaense.

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