LUIZ GERALDO MAZZA
O cortejamento de sempre
Embora esteja em dívida com os professores em função do veto que adiou por 45 dias a aplicação do Plano de Cargos e Salários, Requião faz o jogo de sempre: o cortejamento das classes trabalhadoras, portuários e caminhoneiros, prometendo a esses a diária reivindicada, já que esses veículos operam como silo sobre rodas, e àquelas outras melhorias. Depois da decepção com os mestres o governador não está assim com essa bola cheia para prometer avanços em cima de uma crise.
É indispensável a mediação do governo federal porque o Porto é uma delegação e que em várias vezes se pretendeu devolver a concessão à União. Mas o governo Lula é muito fraco, sem pegada, e não faria isso para não afetar as relações políticas com Requião que vem lhe criando mil problemas que vão da história dos transgênicos e das rescisões contratuais que ferem o grande objetivo, e este estratégico, das parcerias público-privadas, cujos marcos regulatórios, bem claros, seriam indispensáveis para a retomada do crescimento.
Ao postar-se com o antimodelo de Lula, seja no caso dos bingos que a União iria regular até que pegaram o Waldomiro Diniz com a mão na massa, o que foi uma inquestionável vitória de Requião, seja na resistência ao modelo energético e na questão dos pedágios, o nosso governador continua com um discurso sebastianista da volta do Estado provedor e que tem no PT muitos seguidores enfarados de marxismo de compota, alheios à realidade mundial. Fala em restabelecer o DER quando não há sequer funcionários, fiscais, laboratórios de solos. Raciocina em cima de uma clara impossibilidade e como sempre com matemágicas que colocam cartéis do pedágio como o inimigo público número um, o que não conseguiu provar na justiça.
Como Gabriela, Requião nasceu assim, continua assim e vai apostar no seu crescimento em cima de conflitos.
BIZARRICE - A prepotência está muito próxima da pré-impotência. Vejam os nossos políticos nacionais e locais.
AXIOMA - Nas suas reações paradoxais, Requião afirmou que os exportadores botavam mijo de vaca na soja. Depois na CBN melhorou a linguagem falando em urina. Pode ser que amanhã abrande mais falando em xixi.
GLOSA - O repórter Gladmir Nascimento, da CBN, foi alvo de mais uma truculência de Requião: pediu que o governador ouvisse as declarações do senador Alvaro Dias e as respondesse. ''Não admito que você faça essa brincadeira comigo''. É um destemperado incapaz sequer de ouvir o outro lado das coisas. Ele se crê a luz e a verdade. É canonizado sem passar pela beatificação. Corta caminho.
EPIGRAMA - E se o STJ suspender a liminar que bloqueou o aumento do pedágio (no que os consórcios acreditam) como reagirá o governador?
FOLCLORE - Tudo bem: o governo lançou suas cartilhas, a do pedágio e a do bingo. Mas quando começa a governar? Ou teremos com ele aquilo que se deu com Lerner que não tomou posse apesar de reeleito.
EPIGRAMA - A impressão que temos é que o PT não fará tantas prefeituras quanto imaginava. Em alguns lugares, como em São Paulo, a fragilidade dos adversários pode facilitar a vitória de Marta. Aqui a queda de Vanhoni é um fato que não dá para contestar. De repente o melhor candidato de Requião é Rafael Greca. É contundente, talentoso. Tem tudo de um Requião mais redondo.
VINHETA - Já imaginaram esse governo Requião com atos institucionais à sua disposição?





