Cada vez pior

Como se não bastasse o cabo de guerra em que se transformou o Porto tivemos ontem mais um acidente: a mancha de óleo removida de navios poluiu a baía e vamos ter diligências em cada barco para saber o autor do crime ecológico pela identificação do produto das 53 embarcações que se encontram ao largo. É mais uma prova da incompetência operacional do terminal, como se já não bastasse o roubo de toneladas de soja e a existência de ratos gabirus naquele espaço, o que levou a Receita Federal a tirar o quiosque que lá funcionava por causa das baixíssimas condições de salubridade.

O discurso de Requião é o de sempre: o neoliberalismo deitou raízes no Porto e precisa ser extirpado, a decisão de afastar a direção seria apenas pretexto para privatização. Não emite um juízo de valor consequente, afunda-se numa logomaquia que mais confunde do que esclarece, persiste, porém, como um pastor em pregação.

Como tudo parou a carga de granéis que estava nos trens vai ter autorização para conduzi-la ao porto de Rio Grande. Mais uma evidência de que essa loucura, iniciada com a questão dos transgênicos, vai retirar muitas cargas de Paranaguá para portos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Cálculos de exportadores indicam que o porto de Paranaguá, que tinha previsão para 40% do total da safra, não ultrapassará os 25%, isso sem falar nas perdas operacionais que aumentaram o risco do terminal e mais o descompasso do ágio, mais devastador que o badalado pedágio.

BIZARRICE - Até agora a única das cartilhas de Requião que deu certo foi a do bingo e isso porque o flagrante de corrupção de uma figura destacada do estafe do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, melou o meio de campo, já que Lula pretendia regular bingos e cassinos. Agora saiu a cartilha do pedágio com os números de uma auditagem que, segundo advogado das empreiteiras, foi tida como nula de pleno direito pelo Tribunal Regional de Porto Alegre.

AXIOMA - O hiperativismo do governador nem sempre emplaca: todas as tentativas de derrubar o pedágio foram infrutíferas. Todavia ele continua na biga romana como um Ben Hur que faz discursos no campo de batalha.

GLOSA - O PMDB com caráter é pela candidatura própria. Insustentável a idéia de transformar o partido maior, e que detém o governo, em vassalo. Aliás uma das características desse governo é a falta de personalidade dos seus integrantes que aceitam puxões de orelha de Requião na escolinha. Aliás a resistência se revelou pelo menos no último encontro do PMDB, Orlando Pessuti à frente.

EPIGRAMA - Ângelo Vanhoni já não está com aquela bola toda do segundo turno contra Taniguchi. Foi atingido pela degradação política em função dos atos de corrupção, o impasse do aumento dos professores, do qual apareceu como fiador, e a perda de credibilidade nacional mais do governo do que de Lula.

FOLCLORE - O governo do Paraná apostou tudo no modelo de reforma agrária que se pretendia aplicar nas áreas da Araupel. No filtro do INCRA o delírio não passou e houve até quem acusasse a operação de altamente perniciosa. Botou até anúncios com aquele tom evangélico e pelo jeito quebrou a cara. Uma piada clássica diz que quem fala com maior propriedade sobre reforma agrária é o fazendeiro, como iria se dar nesse caso da Araupel.

AFORÍSTICO - Nos anos cinquenta o Porto de Paranaguá sofreu um incêndio que durou semanas para ser extinto. Há quem diga que a crise atual é semelhante. Só que agora há mais incendiários do que bombeiros.

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